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Com incertezas políticas, confiança do comércio fica estável em junho, diz CNC

Mariana Durão

Rio

Atingido pelas incertezas lançadas no cenário político-econômico após a delação do empresário Joesley Batista, da JBS, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ficou estável na passagem de maio para junho (+0,0%), atingindo 102 pontos.

"A tramitação da agenda de reformas e a leve recuperação das vendas do comércio vinham incentivando as expectativas dos comerciantes nos últimos três meses. Os acontecimentos políticos de maio, no entanto, lançaram novas incertezas no cenário de retomada da atividade econômica, afetando a confiança dos tomadores de decisão no varejo", afirma em nota a economista da CNC Izis Ferreira.

O resultado ainda mantém o indicador na zona positiva, acima dos 100 pontos da zona de indiferença. Na base de comparação anual, a confiança dos comerciantes teve um salto de 23,8%. O indicador foi influenciado pelos subíndices condições atuais dos empresários (+1,1%), expectativas de curto prazo (-2,8%) e de intenções de investimentos (-0,9%).

O subíndice da pesquisa que mede a percepção dos comerciantes sobre as condições correntes (Icaec) chegou a 71,6 pontos, um aumento de 1,1%, com ajuste sazonal, na passagem de maio para junho. Na comparação anual a alta foi de 75,5%. A percepção dos varejistas quanto às condições atuais da economia melhorou em junho (0,9%), assim como em relação ao desempenho do comércio (+1,7%) e ao da própria empresa (+0,8%).

A proporção de comerciantes que avaliam as condições econômicas atuais como "piores" segue em queda. Para 64% dos varejistas, a economia piorou em junho, porcentual abaixo daquele observado em junho de 2016 (84,7%).

Único item na zona positiva (acima dos 100 pontos do corte de indiferença), o subíndice que mede as expectativas do empresário do comércio (Ieec) teve queda de 2,8% em junho ante maio, atingindo 146,4 pontos, portanto na zona de avaliação positiva.

Segundo a CNC, os acontecimentos na cena política envolvendo o presidente da República Michel Temer, ocorridos na segunda metade de maio, produziram novas incertezas sobre a evolução das reformas no Congresso e o desempenho da atividade econômica nos próximos meses, influenciando os resultados relativos às perspectivas na pesquisa de junho. A conjuntura impactou a confiança no comércio, avalia a CNC. Houve reduções nos índices de expectativas no curto prazo dos três itens: economia (-5,3%), comércio (-2,3%) e desempenho da empresa (-1,1%).

Na comparação com junho do ano passado, entretanto, houve crescimento de 13,4% no Ieec.

A expectativa quanto ao desempenho da economia também piorou em junho: na avaliação de 77,8% dos entrevistados, a economia vai evoluir nos próximos seis meses. Em maio, esse porcentual havia chegado a 81,4%.

Em junho, o subíndice que mede as intenções de investimento do comércio registrou queda de 0,9% com ajuste sazonal, alcançando 88 pontos. Na passagem de maio para junho, diminuíram as intenções de contratação de funcionários (-1,9%), investimento nas empresas (-0,1%) e em estoques (-0,1%). Em relação ao mesmo mês do ano passado, porém, as intenções de investir na empresa (+20,3%), contratar funcionários (+21,2%) e de renovar os estoques (+1,7%) estão maiores.

É menor o porcentual de comerciantes que avaliam os estoques acima do que esperavam vender: para 29,3% dos consultados, os estoques estão acima do adequado em junho.

"O cenário político mais conturbado ampliou as dúvidas dos agentes quanto à tramitação das reformas necessárias para ordenar as contas públicas. Nesse sentido, o desempenho da economia brasileira nos próximos anos pode ser mais fraco do que o esperado, no cenário de depreciação do Real e de queda mais lenta das taxas de juros", diz a CNC em nota.

A instituição destaca que, por outro lado, o custo de captação no mercado de crédito está menor do que no mesmo período do ano passado, com a queda dos juros e o esforço do Banco Central na "Agenda BC mais". "Essas ações aos poucos estão barateando o crédito e modernizando práticas de mercado, o que estimula os investimentos do comércio. Entretanto, o spread continua elevado e as empresas ainda estão alavancadas", analisa.

Apesar do impacto do cenário na confiança do comércio, a CNC destaca que há sinais de retomada das vendas no curto prazo. A entidade estima que o volume de vendas do comércio em 2017 deve experimentar melhora, com aumento de +1,4%.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) detecta as tendências do setor, do ponto de vista do empresário. A amostra é composta por aproximadamente 6.000 empresas situadas em todas as capitais do País, e os índices, apurados mensalmente, apresentam dispersões que variam de zero a duzentos pontos.

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