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Na crise, rede Atlântica aposta em hotel ‘popular’

Luciana Dyniewicz

São Paulo

Com seu plano de crescimento atrasado por causa da crise econômica, a rede de hotéis Atlântica - dona no Brasil de bandeiras como Radisson, Quality, Comfort e Sleep In, entre outras - vai mudar seu público-alvo e investir no conceito econômico. Esse segmento, que hoje corresponde a 12% da rede da Atlântica, deverá chegar a, no mínimo, 45% em cinco anos, segundo o novo presidente da companhia, Eduardo Giestas.

O projeto da empresa nacional, a segunda maior do setor no País, atrás da francesa Accor, é crescer nos próximos anos com a conversão de hotéis econômicos que hoje usam outras bandeiras, sobretudo no interior. "O produto adequado para essas cidades é o econômico", diz Giestas. A Atlântica tem 90 unidades em operação, a maioria do segmento de preço médio, e pretende dobrar esse número até 2021.

A estratégia de focar em conversão é vista como a melhor opção por Giestas para um momento de resultados decepcionantes da hotelaria brasileira, que aumentou sua oferta para se preparar para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, mas enfrenta uma retração na demanda em decorrência da recessão. Diante desse cenário, a taxa média de ocupação dos hotéis no País caiu quase 10 pontos porcentuais nos últimos dois anos - de 65,98%, em 2014, para, 56,7% no ano passado. Na Atlântica, a taxa está ao redor de 55%, inferior aos 60% necessários para remunerar os investidores.

Com o recuo da demanda, a receita dos hotéis da companhia caiu 20% nos últimos dois anos e obrigou a empresa a adiar a meta de atingir R$ 1,2 bilhão de faturamento - anteriormente prevista para 2019 e agora projetada para 2021.

No ano passado, foram pouco mais de R$ 600 milhões. Nos primeiros três meses de 2017, porém, houve uma recuperação de 4%. "O setor está se adaptando. Na Atlântica, em 2017, devemos pelo menos manter o resultado de 2016", frisa Giestas.

Segundo o executivo, a empresa não considerou cancelar o projeto de expansão por causa da recessão do País ou devido ao desempenho financeiro fraco. "Nosso acionista é paciente e quer se preparar para uma retomada."

O megainvestidor George Soros, por meio do fundo Quantum Strategic Partners, é dono de 74,5% da companhia e o Tao Invest LLC, fundo do Vale do Silício, detém o restante.

Lazer

Ainda em sua estratégia de recuperação, a Atlântica vem fazendo promoções e ações de marketing para crescer na área de lazer. A ideia é melhorar a ocupação de toda a rede, que tem perfil mais corporativo, nos fins de semana, quando a ocupação cai entre 15 e 25 pontos porcentuais.

Para um analista do setor que não quis se identificar, o segmento de lazer é o com maior potencial para a indústria hoteleira hoje, já que é o único que cresceu no ano passado.

Um indicativo disso, diz, é a ocupação nos resorts, que alcançou 63,5% em 2017, a mais alta dos últimos quatro anos. Ele vê desafios para a conversão de hotéis em operação por acreditar que os donos de unidades interessados em mudar de bandeira têm empreendimentos mal localizados ou em mercados fracos.

Já o diretor executivo do Fohb, Orlando de Souza, afirma que a troca de bandeira é a opção que tem dominado o mercado atualmente, sobretudo devido à falta de interesse de investidores em aportarem em novos hotéis enquanto a demanda não voltar a crescer.

Apesar de o mercado estar saturado em algumas cidades, como Belo Horizonte, Giestas também não descarta trabalhar com novos empreendimentos. "Cada cidade é um mercado diferente. Ainda há algumas com espaço para novos projetos."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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