Dirigentes do Fed querem início da redução do balanço nos próximos meses

São Paulo

Dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) preparam planos para começar a lenta redução do balanço patrimonial da instituição nos próximos meses, indicou a ata da reunião de política monetária de junho, divulgada nesta quarta-feira.

Segundo o documento, as autoridades debateram quando exatamente deveriam iniciar a redução. Vários dos presentes na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) defenderam que o Fed preparou suficientemente os mercados para começar logo esse movimento. Outros sugeriram esperar por mais provas de que a inflação iria acelerar.

Diversos membros do Fomc "preferiram anunciar um início do processo nos próximos meses", em parte porque a "comunicação do Fed ajudou a preparar o público para tal passo", mostra a ata. Nesse contexto, uma o início da redução do balanço ficaria para setembro, ao passo que uma nova elevação de juros seria jogada para dezembro.

Outros pediram mais paciência, argumentando que "uma mudança no curto prazo da política de reinvestimento pode ser mal interpretada como significando uma abordagem menos gradual, por parte da instituição, de sua política de normalização como um todo".

O debate sobre o futuro da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) tem sido complicado por dois enigmas, mostra a ata da reunião de junho da instituição, divulgada nesta quarta-feira.

Um dos problemas enfrentados é a desaceleração da inflação. Em maio, o índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), a medida preferida de inflação do Fed, ultrapassou a meta de 2,0% brevemente em fevereiro, mas chegou a maio em 1,4%. Os dados foram usados por parte dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) para um ritmo mais gradual de aperto monetário.

"A maior parte dos participantes viu a recente fragilidade nos dados de inflação como amplamente relacionadas a fatores idiossincráticos", informa a nota. "No entanto, muitos participantes expressaram preocupação com o progresso em relação à meta de 2,0% de inflação pode ter desacelerado e que o desempenho da alta dos preços pode persistir".

Por outro lado, mesmo com a elevação da banda dos fed funds no mês passado, as condições financeiras ficaram mais frouxas, o que reforça o caso dos dirigentes que advogam por um ritmo mais acelerado de normalização da política.

No mês passado, o BC norte-americano afirmou que deve começar a redução do balanço deixando de investir, inicialmente, US$ 6 bilhões em Treasuries e US$ 4 bilhões em bônus hipotecários, quantia que deve ser elevada a cada trimestre até atingir um máximo de US$ 30 bilhões por mês em Treasuries e US$ 20 bilhões por mês em títulos lastreados em hipotecas.

Na reunião de junho, as autoridades discutiram o por quê das condições financeiras não terem ficado mais apertadas. Entre as causas aparentes, está o forte crescimento dos lucros corporativos e uma crescente tolerância ao risco por parte de investidores.

"Na leitura de alguns dirigentes, os preços das ações estavam altos na comparação com medidas típicas de valuation", diz o documento. Parte dos participantes também "expressou preocupação de que a baixa volatilidade do mercado, combinada com um baixo prêmio das ações, pode levar a uma elevação dos riscos à estabilidade financeira".

O documento mostra ainda que os dirigentes consideram que a melhora da perspectiva de crescimento da economia global limita os riscos negativos para os Estados Unidos, informa a ata da última reunião de política monetária da instituição, divulgada hoje. Por outro lado, o rumo da política fiscal no país ainda é incerto.

Segundo o documento, os riscos advindos do exterior diminuíram nos últimos meses. Os spreads dos títulos soberanos dos países emergentes registraram poucas mudanças, nota o Fed, acrescentando que o ingresso de capitais em fundos mútuos nesse grupo permaneceu robusto, exceção feita ao Brasil. "Os spreads soberanos brasileiros cresceram e o real se depreciou notadamente em meio a uma alta das incertezas políticas".

De modo geral, a equipe de projeções econômicas da instituição entendeu que os riscos ao Produto Interno Bruto (PIB), desemprego e inflação estão "equilibrados" ou "quase equilibrados".

A projeção para o PIB em 2018 ficou "um pouco maior" que a do ano anterior, ao passo que a expectativa para inflação em 2017 caiu. Apesar das incertezas, a perspectiva de uma política fiscal nos próximos anos incutida nas projeções é de expansão. Já a estimativa para a taxa de desemprego é que ela continuará a cair, enquanto os riscos de a política monetária ser incapaz de responder a choques recuaram. (Marcelo Osakabe, com informações da Dow Jones Newswires - marcelo.osakabe@estadao.com)

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