Fitch: desemprego e política prejudicam perspectivas para reforma da Previdência

Gabriela Korman e Mateus Fagundes

São Paulo

O desemprego, as dívidas públicas e os desenvolvimentos políticos no Brasil prejudicam as perspectivas para a reforma da Previdência e também para o ajuste fiscal, apontou a agência de classificação de risco Fitch em relatório.

"Os riscos negativos para as previsões de crescimento permanecem, devido ao ambiente político desafiador e uma agenda de reformas parada. Além disso, a alta taxa de desemprego e dívidas domésticas e do setor privado também devem pesar sobre a recuperação. As incertezas políticas cresceram nas últimas semanas, com acusações de corrupção ligadas ao presidente Michel Temer", segundo a agência.

A aproximação das eleições de 2018 pode reduzir a janela política para as reformas, avalia a Fitch. "A reforma da Previdência é essencial para tornar o teto de gastos públicos aprovado em dezembro efetivo e com credibilidade. A recuperação na confiança do consumidor e dos negócios se mostrou irregular desde o impeachment", apontou a agência.

A revisão da meta de inflação no Brasil deve ajudar a ancorar as expectativas de inflação no médio prazo, à medida que o Banco Central ganha credibilidade. De acordo com a agência, isso deve dar apoio ao ajuste fiscal e à recuperação econômica.

A Fitch ainda espera que a queda dos juros e o ganho real dos salários deem suporte à recuperação econômica. No entanto, os riscos de queda para as previsões de crescimento permanecem por causa da agenda desafiador e o tom do risco continua sendo dado pela política.

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