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BC: política monetária estimulativa favorece estreitamento de capacidade ociosa

Eduardo Rodrigues, Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues

Brasília

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI), publicado nesta quinta-feira, 29, pelo Banco Central, traz a avaliação de que uma política monetária estimulativa favorece o "estreitamento da capacidade ociosa dos fatores de produção", o que contribui para a convergência da inflação para a meta.

Segundo o BC, para 2019 e 2020, vários fatores contribuem para que as projeções sejam consistentes com as metas definidas para o IPCA. O documento cita as expectativas de inflação ancoradas na meta, as trajetórias para as taxas de juros e de câmbio oriundas da pesquisa Focus e o comportamento benigno esperado para as variáveis da economia mundial.

"Assume-se também que choques sobre a inflação e a atividade perderão força ao longo do tempo", completa o RTI.

Custo de financiamento

O custo de financiamento tem recuado de forma compatível com a queda da taxa básica de juros, a Selic, diz o Banco Central em análise publicada no Relatório Trimestral de Inflação. O documento afirma ainda que o volume de concessões de crédito do Sistema Financeiro Nacional também tem reagido em linha com o processo de distensão da política monetária.

"As trajetórias de taxas de juros e de volumes de concessões do crédito livre evidenciam comportamento consistente do canal de crédito no atual ciclo de distensão da política monetária, comparativamente aos ciclos anteriores. () O custo de financiamento tem recuado de forma compatível com a queda da taxa básica de juros e o volume de concessões tem avançado, influenciado pelas melhores condições de oferta e pela retomada gradual da atividade", diz o BC.

Apesar da observação feita pela instituição no relatório, o BC anunciou, na última segunda-feira, que o juro médio pago pelos consumidores aumentou pelo segundo mês seguido e atingiu 57,7% em fevereiro. Entre as linhas mais populares, o crédito pessoal e o cartão de crédito ficaram mais caros no mês passado. Enquanto isso, a Selic sofreu novo corte na reunião de março e está no piso de 6,50% ao ano.

"A comparação das taxas de juros nos segmentos PF e PJ nos diferentes ciclos evidencia que para os empréstimos às famílias houve, no ciclo atual, redução relativamente mais pronunciada da taxa média de juros vis-à-vis ciclos anteriores. Cabe ressaltar que parte desse movimento repercutiu, adicionalmente à política monetária, os efeitos das recentes mudanças normativas no cartão de crédito", diz o BC. Segundo a instituição, a abertura dos dados por modalidades de pessoa física revelam "redução disseminada dos custos" a partir de 2017, à exceção do cheque especial.

O BC ressaltou ainda que, por meio da Agenda BC+, permanece revisando questões estruturais do Sistema Financeiro Nacional com o objetivo de "reduzir ainda mais o custo de financiamento para o tomador final e elevar a competitividade e a flexibilidade na concessão de crédito".

Oferta de descontos

O mecanismo de diferenciação de preços conforme o meio de pagamento utilizado (dinheiro, débito ou crédito) elevou a oferta de descontos na percepção de consumidores e empresas, diz o Banco Central em análise produzida sobre o assunto. O BC avaliou os resultados das sondagens do Consumidor, do Comércio e de Serviços, produzidas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar do resultado considerado positivo, os dados revelam, segundo o BC, que ainda há potencial de crescimento dessa prática.

O governo editou a Medida Provisória (MP) 764 no ano passado, já convertida em lei, que permitiu a diferenciação de pagamentos conforme o instrumento de pagamento. A ideia é que os consumidores que efetuem pagamentos em dinheiro ou débito tenham descontos.

O resultado das sondagens mostra que a prática é mais comum no comércio do que nos serviços. Em ambos, a maior frequência de descontos ficou nas faixas de 2,5% a 5% e de 7,5% a 10%.

"A diferença entre os descontos para pagamento em dinheiro ou cartão de débito deve refletir custos ou benefícios líquidos percebidos pelas empresas na medida que não há diferença relevante entre esses dois instrumentos no que diz respeito ao prazo para recebimento do pagamento", diz o BC, no Relatório Trimestral de Inflação.

"Em síntese, os resultados das sondagens indicam efeito positivo da nova legislação, evidenciado pelo porcentual relevante dos entrevistados - sejam consumidores ou representantes de empresa - que assinalaram ter havido aumento na oferta de descontos em função do instrumento utilizado para pagamento", afirma a instituição.

"Os dados revelam, adicionalmente, que parcelas importantes do comércio e do setor de serviços não oferecem a possibilidade de desconto em função da forma de pagamento. Esse fato indica que há potencial para intensificação da prática de diferenciação de preços, o que potencializaria os benefícios propiciados pela nova legislação", diz.

Mercado de capitais

O maior dinamismo do mercado de capitais e do fluxo de captações externas em 2017 exerceu papel relevante no financiamento às empresas, mitigando impactos da retração nas concessões de crédito bancário no País, destacou o Banco Central em análise feita no âmbito do RTI. Segundo a instituição, a expansão do endividamento favoreceu a redução do custo da dívida das empresas com acesso a esses mercados.

Apesar disso, o endividamento total das empresas que possuem dívida recuou 1,6% em 2017, o que reflete em parte o número ainda reduzido de empresas (277) que se financiaram no mercado de capitais no período.

"(Isso) Realça a importância de se intensificar as ações de fomento do mercado de capitais, objetivando ampliar o acesso e estender os seus benefícios para um conjunto maior de empresas", diz o BC.

De acordo com a análise, o total do crédito amplo considerando dez setores aumentou R$ 111 bilhões em 2017. Houve incremento de R$ 62,1 bilhões em dívidas contraídas junto ao mercado de capitais e de R$ 81,6 bilhões por meio de captações externas. Já o crédito bancário recuou R$ 32,8 bilhões no período para esses segmentos, que incluem indústrias de derivados de petróleo e biocombustíveis; eletricidade, gás e utilidades; indústrias alimentícias; mineração; indústria automobilística; e holdings.

"O mercado de capitais em 2017, após o desempenho observado nos dois anos anteriores, registrou significativo aumento da captação de recursos por parte das empresas, com destaque para a emissão de ações, debêntures e notas promissórias - sendo que os dois primeiros instrumentos são utilizados, normalmente, para captações de médio e longo prazo, e o último para as de curto prazo (até um ano)", diz o BC.

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