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Inflação não caiu só por conta da recessão, diz presidente do BC

Francisco Carlos de Assis

São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, rebateu nesta terça-feira (3) a tese que diz que a inflação só caiu no Brasil por conta da forte recessão. "Dizem que a inflação caiu por conta da recessão, mas não foi só isso", disse ele, ao expor uma série de medidas adotadas que levaram à queda da inflação.

Ilan lembrou que, em dezembro de 2015, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou em 10,67% e que, em agosto de 2016, estava em 8,9%. Para ele, qualquer um que visse as duas taxas e considerasse o tempo percorrido entre uma e outra não imaginaria que o IPCA estivesse agora em torno de 3%.

Ainda segundo o presidente do BC, a taxa básica de juro caiu por conta da queda da inflação, e não ao contrário. Ele explicou que em cenários econômicos complicados não se pode deixar a situação para ser resolvida pelas regras do mercado porque nestas situações a lei da oferta e da procura não funciona.

Ilan disse que está havendo um crescimento moderado da economia, mas consistente. Mas que o BC está vendo a inflação na meta nos próximos anos até 2020. Para o banqueiro central, o crescimento em curso do PIB (Produto Interno Bruto) é o dobro do que a autoridade previa. Mas ressaltou que o objetivo do BC é tornar a queda conjuntural da Selic em uma queda estrutural.

Porta aberta

O presidente do Banco Central deixou mais uma vez na manhã desta terça a porta aberta para mais um corte da Selic na próxima reunião do Copom, embora tenha feito um arrazoado sobre a necessidade de a autoridade monetária avaliar a defasagem com que as decisões de política monetária atuam na economia.

Ele disse que se a inflação permanecer baixa, o espaço para o Copom atuar permanece aberto.

Segundo Ilan, por enquanto as condições da economia global são favoráveis à economia brasileira. Mas alertou para o fato desta conjuntura vir a ser revertida em resposta ao crescimento disseminado no mundo. Isso, de acordo com ele, poderá levar a um aumento da inflação pelo globo e a um processo de normalização da política monetária no mundo.

"Há riscos de a inflação aumentar ou ficar abaixo do previsto. Mas o Copom reafirma que tem flexibilidade para reagir a ambos os riscos", disse o presidente do BC.

Ilan falou por cerca de 40 minutos no Bradesco BBI's 5th Annual Brazil Investment Forum, organizado pelo Bradesco Banco de Investimentos (BBI), em São Paulo.

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