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Produção industrial começou 2018 em ritmo abaixo do fim de 2017, diz IBGE

Vinicius Neder

Rio

03/05/2018 13h05

A queda de 0,1% na produção industrial em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, sugere que a indústria começou 2018 num ritmo abaixo do fim de 2017, afirmou nesta quinta-feira, 3, o coordenador de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais cedo, o órgão divulgou os dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF).

"Em termos de ritmo da produção, a produção vem mostrando algum arrefecimento na intensidade", disse Macedo.

Para o pesquisador, o cenário de inflação controlada e alguma recuperação do mercado de trabalho explicam a recuperação da indústria, mas a perda de ritmo estaria relacionada a um desemprego ainda elevado.

"A consolidação do ritmo (de avanço) da produção está condicionada à melhora do mercado interno", disse Macedo.

Segundo o coordenador de Indústria do IBGE, os dados das médias móveis trimestrais deixam claros a perda de ritmo neste início de ano.

O recuo de 0,7% na média móvel trimestral da produção industrial de março foi registrado em 20 dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE. É o menor índice de difusão na ótica da média móvel trimestral desde outubro de 2016.

"Desde outubro de 2016 a gente não via um numero tão reduzido de taxas móveis trimestrais no positivo", disse Macedo.

O pesquisador destacou que os dados confirmam a recuperação da indústria, mas ressaltou que as perdas durante a recessão ainda estão longe de serem superadas. Macedo lembrou que a alta de 3,1% na produção do primeiro trimestre, em relação a igual período do ano anterior, foi a quinta seguida nessa base de comparação, mas interrompeu longo período de queda.

"A sequência de cinco trimestres de alta interrompeu 11 trimestres de queda", afirmou Macedo. "A gente recuperou uma parte, mas ainda existe uma parte maior a ser recuperada", completou o pesquisador.

Desvalorização

É cedo para estimar qual será o efeito geral da desvalorização recente do real sobre o ritmo de crescimento da produção industrial ao longo do ano, afirmou Macedo.

Segundo ele, a alta do dólar atinge a indústria de "forma diferenciada", conforme o ramo industrial. Há reflexos positivos sobre determinados segmentos industriais, especialmente aqueles voltados à exportação, enquanto outras atividades podem ser atingidas negativamente.

"Os efeitos vão precisar ser contrabalançados para entender melhor para onde caminha a produção industrial", afirmou Macedo. "Agora, todo tipo de incerteza traz reflexos importantes sobre confiança para investimentos e consumo das famílias", ponderou.

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