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Itaú: impacto da crise argentina no País pode se concentrar em setor automotivo

Altamiro Silva Junior

São Paulo

A crise na Argentina pode ter impacto negativo no Brasil, mas a dimensão deve ser "limitada" e restrita a poucos setores, avalia o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita. "Acho que o impacto na economia brasileira é mais setorial, em cadeias produtivas que são integradas, notadamente no setor automotivo", disse o ex-diretor do Banco Central nesta sexta-feira em conversa com jornalistas.

Mesquita ressalta que a economia do país vizinho começou o ano em um bom ritmo, melhor que o do Brasil. Um eventual desaceleração da atividade argentina não será uma notícia boa para os setores em que há integração comercial maior com o Brasil, como o de veículos. "O sinal do impacto, claro que é negativo, mas de dimensão limitada e setorialmente concentrada."

As notícias negativas sobre a Argentina podem ainda ter outro impacto, o de fazer investidores estrangeiros a retirarem recursos alocados em emergentes. "Isso nos afeta de forma indireta. Não é que o sujeito vai tirar dinheiro no Brasil porque a Argentina está ruim, com problemas. Todas classe de ativos de emergentes sofrem quando você tem esse tipo de noticiário", disse o economista do Itaú.

A pressão sobre o peso, o real e outras moedas de emergentes deve continuar pela frente, avalia o economista. A recente alta do dólar na economia mundial, observa ele, reflete as expectativas dos agentes sobre os rumos da política monetária dos Estados Unidos, de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode ter de elevar os juros mais vezes que o esperado. "Como esse processo tende a prosseguir, podemos continuar a ver pressão em algumas moedas de emergentes, notadamente aquelas que têm desequilíbrios mais intensos no balanço de pagamentos."

Na América Latina, a pressão maior tem sido sobre a Argentina justamente porque o país tem um dos níveis mais altos de déficit de conta corrente, de quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB), destaca Mesquita. No Brasil, essa relação está em cerca de 0,5%. Quanto maior o porcentual, maior a necessidade de capital estrangeiro para financiar a dívida. "As pressões podem continuar em nossa visão", disse ele.

Nesta sexta-feira, o Itaú Unibanco revisou seu cenário para a economia brasileira e aumentou a projeção para o dólar, de R$ 3,25 para R$ 3,50.

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