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Cenário externo recomenda que BC interrompa cortes na Selic, diz economista

Francisco Carlos de Assis

São Paulo

Se tivesse hoje na chefia do Departamento Econômico do Citibank, cargo que ocupou por 11 anos, o economista e atual professor e coordenador do Centro Macro-Brasil da FGV-EESP Marcelo Kfoury sugeriria ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) que interrompesse o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em outubro de 2016. Isso porque, segundo ele, "houve uma mudança significava do contexto internacional com o fim da bonança em relação aos emergentes, que deve ser analisada cuidadosamente". É o que Kfoury escreveu em blog hospedado pelo estadao.com, publicado nesta terça-feira, 15, véspera de mais uma reunião do colegiado para definir a taxa de juro.

"Desde meados de abril, a economia internacional mudou, havendo uma reprecificação dos juros nos Estados Unidos. Aqui enfatizo a elevação dos juros de 10 anos, que estavam em 2,45% ao ano no início do ano e agora estão ao redor de 3% ao ano", apontou Kfoury.

Para o economista, mesmo a curva de dois anos alcançou, pela primeira vez em dez anos, o patamar de 2,5% ao ano, impulsionada, entre outras coisas, pela subida do preço do petróleo. As moedas dos principais países emergentes (Rússia, Turquia, Polônia, África do Sul) se enfraqueceram em linha e os riscos medidos pelos CDS (sigla em inglês para Credit Default Swap) subiram em cerca de 20%.

"A última coisa que queremos agora é importar um ataque especulativo da Argentina", disse Kfoury, para quem seria mais prudente o BC interromper agora o ciclo de corte da Selic. Desde o início do ciclo a Selic caiu de 14,25% ao ano para 6,50% ao ano e pode recuar mais 0,25 ponto porcentual nesta quarta-feira, 16.

O economista acredita ainda que desta vez, em função do clima de volatilidade que se instalou no mercado, a reunião do Copom será marcada por uma divergências no mercado entre o que ocorrerá e o que deveria ocorrer já que os agentes precificam 60% de chances de novo corte. "Mas se eu estivesse lá recomendaria pelo fim do ciclo", disse.

Kfoury entende que há duas razões para o Copom continuar o processo de flexibilização da taxa de juros. A primeira é a inflação e as projeções de inflação, que estão muito bem-comportadas. Desde julho do ano passado, a inflação acumulada em 12 meses está abaixo de 3% (nos 12 meses encerrados em março totalizou 2,76%).

"Sendo assim, o Focus continua seguidamente reduzindo as expectativas de 2018. As próprias projeções que o BC deve divulgar na ata tanto para esse ano como para o próximo devem estar ao redor de 4%", disse acrescentando que uma das razões para a inflação estar tão baixa é a própria recuperação ter perdido tração, o que significa no dialeto macroeconômico, que a economia está com hiato aberto, e então o crescimento econômico não pressiona a inflação no curto e médio prazo.

O segundo motivo é o próprio Copom que, seguindo uma política de antecipar os próprios movimentos "forward guidance", avisou o mercado que iria cortar na reunião de maio e só iria parar o ciclo em junho. "Claramente, o Copom tinha a intenção de interromper o ciclo quando os juros estavam em 6,75%, mas foi desautorizado pelos dados, tendo que continuar cortando mais 0,25 pontos, alegando que os cortes nos juros eram para que a inflação subisse", disse.

Kfoury lembra que em março as projeções de inflação estavam ficando recorrentemente abaixo do centro da meta e que o mercado está agora majoritariamente esperando outro corte na quarta-feira porque o BC assim sinalizou. Mas dado o cenário internacional, o economista acredita que o melhor seria a interrupção.

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