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Desvalorização cambial contribuiu com redução de 0,7 pp na dívida liquida, diz BC

Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro

Brasília

A desvalorização do real nas últimas semanas, que ajudou a pressionar para cima preços ligados ao dólar como os combustíveis, gerou um efeito positivo na dívida líquida do setor público (DLDP). Em abril, o real registrou desvalorização de 4,7% na comparação com a moeda norte-americana, o que ajudou a reduzir a dívida líquida em 0,7 ponto porcentual em abril na comparação com março.

No acumulado do ano, a desvalorização de 5,2% do real ante o dólar gerou redução de 0,8 ponto porcentual na dívida líquida. Os números foram apresentados pelo chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha.

Esse efeito ocorre porque o indicador leva em conta o total da dívida pública, mas abate os ativos do governo federal, especialmente as reservas internacionais que são contabilizadas em dólar. Dessa maneira, quanto mais alta a taxa de câmbio, as reservas valem mais reais, o que ajuda o indicador da dívida líquida.

Durante a entrevista, o técnico do BC ressaltou que o desempenho macroeconômico continua em trajetória de recuperação, o que tende a gerar resultado melhores nos próximos meses. Segundo ele, a receita líquida subiu 7,5% no acumulado dos quatro primeiros meses, enquanto as despesas totais subiram 6,8%.

Elasticidade

Rocha apresentou nesta quarta a elasticidade da DLDP ante o Produto Interno Bruto (PIB) em relação às variáveis que interferem em seu resultado.

No caso do câmbio, cada 1% de variação tem impacto imediato de 0,15 ponto porcentual (pp) em sentido oposto, o que equivale a R$ 9,9 bilhões.

No caso da Selic, cada 1 pp de alteração mantida por 12 meses tem reflexo de 0,41 pp na DLSP/PIB no mesmo sentido, o que representa R$ 27,0 bilhões em valores correntes.

Já cada alta ou baixa da inflação (basicamente IPCA) de 1 pp mantido por 12 meses tem impacto de 0,15 pp no mesmo sentido na DLDP/PIB, ou R$ 9,8 bilhões em valores nominais.

Dívida bruta

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central destacou que a "dívida bruta permanece em trajetória de crescimento, decorrente dos resultados primários". Em abril, a dívida bruta brasileira superou os R$ 5 trilhões pela primeira vez na história, somando R$ 5,046 trilhões, o equivalente a 75,9% do PIB.

Por sua vez, a dívida líquida, que leva em conta as reservas internacionais do País, atingiu R$ 3,448 trilhões em abril, ou 51,9% do PIB.

O valor é inferior aos 52,3% do PIB verificados em março, justamente porque a variação cambial no período (alta do dólar) permitiu redução de parte da dívida líquida em abril.

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