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Petroleiros mantêm greve, mas descartam falta de combustíveis

Denise Luna

Rio

30/05/2018 12h11

Os petroleiros continuam ignorando a ordem do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e mantêm a greve iniciada a partir de zero hora desta quarta-feira, 30. A paralisação pede que as refinarias da Petrobras operem em sua carga máxima para evitar o aumento das importações de derivados e o fim da política de ajuste diários de preços, que vem facilitando a importação de combustíveis.

"Não haverá desabastecimento no País por conta da greve dos petroleiros. Os estoques estão cheios e não vamos parar a produção. Porém se nada for feito até o dia 12 de junho a FUP e seus sindicatos filiados vão declarar parada por tempo indeterminado", informou o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e presidente do Sindicato dos Petroleiros e Duque de Caxias, Simão Zanardi. "Pedimos à população nesse momento que se una à greve dos petroleiros, porque é possível sim baixar o preço do diesel, da gasolina e do gás de cozinha", afirmou em entrevista na porta da Refinaria Duque de Caxias (Reduc).

Segundo a Petrobras, nesta quarta, foram registradas paralisações pontuais em algumas unidades operacionais. "Equipes de contingência estão atuando onde necessário e não há impacto na produção", informou a empresa. Na terça, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou em teleconferência que a greve dos petroleiros é política. Ele lembrou que o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi assinado no ano passado com validade de dois anos, e, portanto, a paralisação não tem questões salariais.

O diretor da FUP Gerson Castellano disse ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) que a entidade não havia sido comunicada oficialmente pelo TST até o final da manhã e criticou a posição da estatal, de se referir à greve como um movimento político. "Tudo nessa vida é política, como diz o Zé Maria (Rangel, coordenador geral da FUP). Estamos aqui defendendo a Petrobras, que é um bem do povo brasileiro", disse o diretor.

Ele informou que até às 10 horas, 22 plataformas da bacia de Campos tinham aderido à greve, o que não foi confirmado pela Petrobras. A estatal mandou equipes de contingência para render os grevistas nas plataformas e refinarias, para evitar a interrupção das operações.

No Rio Grande do Sul foi registrado o primeiro conflito entre grevistas e a polícia, informou o diretor. Na porta da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), um grupo de professores foi dar apoio aos petroleiros e enfrentou a reação da polícia, que chegou a usar bombas de gás lacrimogênio para conter os protestos, mas não houve nenhum ferido, segundo Castellano.

Nas bases da FUP, que congrega 14 sindicatos da categoria, 10 refinarias estão sem troca de turno: Reman (AM), Lubnor (CE), Abreu e Lima (PE), Rlam (BA), Reduc (Duque de Caxias), Regap (MG), Replan (SP), Recap (SP), Repar (PR) e Refap (RS). Também estão parados os trabalhadores da SIX, Superintendência de Industrialização de Xisto (PR), e das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) do Paraná e da Bahia.

Na Transpetro, a greve atinge os terminais do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, do Espírito Santo, do Amazonas, do Ceará, de Pernambuco, de Campos Elíseos (Duque de Caxias) e de Cabiúnas (Macaé).

No Rio Grande do Norte, os trabalhadores dos campos de produção terrestre do Alto do Rodrigues e de Mossoró também aderiram à greve, assim como os petroleiros do Ativo Industrial de Guamaré e da Estação Coletora do Canto do Amaro.

Participam ainda da greve os trabalhadores da Usina Termoelétrica Leonel Brizola, em Duque de Caxias, e os petroleiros das unidades de tratamento e processamento de gás natural (UPGNs e UTGCs) do Espírito Santo, onde os petroleiros da sede da Petrobras, em Vitória, também se somaram ao movimento.

FNP

A Federação Nacional dos Petroleiros, entidade sem vínculo partidário e que reúne cinco sindicatos da categoria, anunciou que está em greve por tempo indeterminado. Em vídeo no site da FNP, o secretário-geral da FNP e coordenador geral do Sindipetro Litoral Paulista, Adaedson Costa, afirma que a decisão do TST é política e arbitrária, e que o movimento não vai ser suspenso.

"A greve não acabou, o judiciário junto com o governo querem acabar com a Petrobras. Querem acabar com o nosso plano de saúde e a nossa PL (Participação nos Lucros). A greve é justa, é contra a alta de combustíveis", afirma em um vídeo na página da entidade no Facebook.

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