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'É muita galinha para pouco milho', diz caminhoneiro

Fernando Scheller

São Paulo

O caminhoneiro Jaime Tonetti, 57, é de Jacareí (SP). Mas, durante a greve dos caminhoneiros, parou seu veículo - um MH Volvo financiado, modelo ano 2000 - perto de Fortaleza (CE), para onde transportava uma carga para uma grande cervejaria. Ativo em vários grupos de WhatsApp da categoria, ele se converteu, de forma involuntária, em um dos "cabeças" do movimento na região. Ficou nove dias parado na estrada e só seguiu viagem na última quinta-feira (31), quando retornou ao trabalho. "Você acha que alguém fica nessa situação por nove dias, se a coisa não for grave?", perguntou. "Paramos por vontade própria. A gente estava com tudo engasgado."

Filho de caminhoneiro, Jaime trabalha há mais de 50 anos no setor e há 37 dirige o próprio veículo. O dinheiro não dá para pagar as contas. "Tenho sorte de ter casas alugadas e de a minha mulher ter emprego. Porque dinheiro como caminhoneiro não ganho." Ele explica que a briga por cargas só achata o preço do frete: "É muita galinha para pouco milho."

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Custos

Trabalhando com seu caminhão em rotas longas (como os 3.000 km que separam São Paulo e Fortaleza), Jaime diz que ter dificuldades para pagar o financiamento de seu Volvo usado. O caminhoneiro diz que, em média, o frete para as capitais do Nordeste giram em torno de R$ 11 mil. Desse valor, cerca de R$ 5.000 são gastos atualmente com diesel - o MH ano 2000 consome cerca de 1.400 a cada "perna" da viagem.

A cada ida e volta para Fortaleza ou Recife - rotas que faz com frequência -, Jaime acredita que sobrem cerca de R$ 2.000 ao fim do mês. É um valor insuficiente para arcar com os custos fixos do próprio caminhão: entre prestação, seguro e estacionamento, ele diz desembolsar R$ 3.800 por mês.

Embora Jaime tenha ficado insatisfeito com o acordo que encerrou a greve, a queda de R$ 0,46 no diesel, caso se concretize, representará um bom alívio em seus custos. Na viagem de ida e volta para Fortaleza, o corte no preço representaria uma economia de cerca de R$ 1.300. Considerando o valor líquido que vem sobrando nas mãos do caminhoneiro atualmente, isso representaria um "reajuste" de 65%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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