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Onda de incertezas ajuda a explicar disparada do dólar

São Paulo

08/06/2018 07h20

Apesar de a cotação da moeda americana ter ultrapassado o patamar dos R$ 3,90 na quinta-feira, 7, essa tendência de alta já era percebida no mercado financeiro desde o início do ano. Até abril, esse movimento teve influência, principalmente, do exterior. A recuperação da economia americana, com uma possível alta dos juros acima do esperado, e a guerra comercial iniciada por Donald Trump desencadearam uma valorização do dólar em relação não só ao real, mas a outras moedas de países emergentes.

Com o aquecimento da economia dos EUA (o emprego não para de crescer e o PIB do primeiro trimestre veio acima do esperado), a inflação americana pode subir e isso obrigaria o Fed, o banco central dos EUA, a elevar os juros acima do que estava previsto, em uma tentativa de segurar os preços. Isso funciona como um fator de atração de capital, ao elevar o retorno sobre o que é considerado o investimento mais seguro do planeta. Os investidores tendem a tirar seus recursos de economias onde o risco é maior para aplicar em títulos do Tesouro americano.

Além disso, em abril, o temor de uma guerra comercial entre China e EUA, as duas maiores economias do mundo, também começou a assombrar os mercados, já afetados por incertezas geopolíticas, como a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã - o que se confirmou no início de maio. Além disso, Trump ainda impôs tarifas sobre a importação de aço e alumínio sob o argumento de que elas são necessárias para proteger a segurança nacional do País.

A partir de maio, o cenário interno começou a pesar mais na cotação do dólar. No dia 14 de maio, a divulgação de uma pesquisa eleitoral que mostrou à frente os pré-candidatos Jair Bolsonaro, Marina Silva e Ciro Gomes, fez a moeda americana chegar a R$ 3,62 - a maior cotação em dois anos.

A situação se agravou com a greve dos caminhoneiros no fim do mês passado. O protesto, além de ter parado o País, deve comprometer os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e frear a recuperação da economia. Analistas até já revisaram para baixo as perspectivas de crescimento da economia brasileira para este ano. Ao negociar o fim da paralisação, o governo Temer também deu sinalizações de enfraquecimento político e de afrouxamento na política de corte de gastos públicos, o que desagrada ao mercado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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