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IIF vê efeito 'manada' em países emergentes

Altamiro Silva Junior

São Paulo

09/06/2018 07h33

O Brasil não é o único emergente a enfrentar o mau humor dos investidores estrangeiros. Só em maio, eles retiraram US$ 12,3 bilhões (R$ 45,5 bilhões) em recursos aplicados nesses países. No mês anterior, foram US$ 300 milhões (R$ 1,1 bilhão). Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 8, pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, com sede em Washington, os recentes episódios sugerem um comportamento de "manada" por parte dos investidores.

Só no mês passado, eles retiraram US$ 6,3 bilhões (R$ 23,3 bilhões) de fundos alocados em países emergentes. Somando com o que foi retirado de aplicações em bolsa e em renda fixa, o montante dobra. Com isso, a alocação das carteiras globais em bônus de países emergentes caiu para pouco menos de 11,5%, menor nível do ano, ressalta o IIF.

O Instituto observa que vários fatores estão contribuindo para a maior aversão ao risco dos emergentes pelos grandes investidores: riscos domésticos de cada mercado, tensões comerciais, elevação de juros nos países desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos, e o fortalecimento do dólar na economia mundial.

Em momentos de maior estresse no mercado financeiro mundial, o IIF ressalta que os investidores aumentam a seletividade para alocar recursos e avaliam cada país individualmente. Mas nas últimas semanas esse movimento não vem ocorrendo e tanto os emergentes mais vulneráveis como os com fundamentos melhores estão perdendo recursos.

"O padrão dos fluxos nos fundos tem sido marcado por uma falta de seletividade", ressalta o relatório. Este movimento é típico de comportamento de "manada", quando os investidores passam a se guiar pelo comportamento dos demais e não pela avaliação dos fundamentos.

Correção

Em uma lista de 41 moedas acompanhadas pelo Broadcast, o real teve a terceira maior desvalorização no ano, atrás apenas das moedas da Turquia e da Argentina. Na quinta-feira, 7, o Banco Central da Turquia elevou sua taxa básica de juros de 16,5% para 17,75%, alertando ainda que pode optar por novas altas, caso precise voltar a agir para controlar a inflação.

O caso argentino é mais complexo. Os desequilíbrios nas contas públicas e a postura do governo de Mauricio Macri de manter uma correção apenas gradual dos problemas desagradaram investidores, levando o dólar a bater máxima histórica, a 25 pesos. No auge da crise, no início de maio, o BC elevou a taxa básica de juros a 40% e pediu socorro ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que, na quinta, anunciou a concessão de um empréstimo US$ 50 bilhões (R$ 185 bilhões). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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