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Forte avanço do Índice de Preços ao Consumidor ainda reflete efeito da greve

Thaís Barcellos

São Paulo

11/06/2018 14h20

O avanço forte do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) na primeira quadrissemana de junho ainda reflete o efeito da greve dos caminhoneiros, que reduziu a oferta de produtos nos estabelecimentos, além de afetar cadeias inteiras, como a do frango, afirma o coordenador do índice, Guilherme Moreira. O indicador passou de 0,19% no fechamento de maio para 0,57% na primeira medição deste mês, enquanto a expectativa da Fipe era de 0,39%. Mesmo assim, a previsão para o mês sofreu um ajuste pequeno, de 0,70% para 0,69%.

"É só um ajuste após a entrada dos dados da primeira quadrissemana, mas o viés de alta e a perspectiva para o mês continuam os mesmos." Depois de junho, a expectativa da Fipe é que a média de preços se normalize em patamar baixo.

"Houve um aumento de preços, mas como a inflação está bem comportada, não vai causar grande impacto. O grande problema é a atividade econômica, em que as expectativas para o PIB têm caído em um nível assustador. A queda da confiança tem um efeito que se sobrepõe à inflação causada pela greve e por qualquer outro fator", avalia Moreira.

No IPC-Fipe da primeira quadrissemana de junho, o coordenador do índice destaca a diferença no grupo Alimentação, em que a projeção era de 1,26%, mas a alta apurada foi de 1,82%, de 0,62%. "O impacto da greve sobre a cadeia de alimentos foi generalizado, mas o efeito mais forte foi em semielaborados." O subgrupo subiu de 0,67% para 3,32% no período.

Nos semielaborados, grupo que inclui as proteínas animais, o destaque foi o frango, que subiu de 0,03% para 8,43% e deu a segunda maior contribuição individual para o avanço do indicador, com impacto de 0,09 ponto porcentual. Essa cadeia foi bastante afetada durante a greve, pois vários animais acabaram morrendo durante a paralisação.

Da mesma forma, outros tipos de carnes também foram afetados. A suína saiu de deflação de 2,10% para aumento de 1,47%, enquanto a bovina tinha queda de 0,36% na última quadrissemana de maio e agora marcou avanço de 1,48%.

"As aves, a carne de frango e as outras proteínas animais tiveram um completa mudança de rumo na última quadrissemana de maio, por isso esse avanço forte tem ligação imediata com a greve e, passados seus efeitos, esses preços devem ter alguma normalização."

Mas, dentro de Alimentação, outros subgrupos também reagiram à escassez de oferta nos estabelecimentos. Os produtos in natura subiram de 2,86% para 4,75% e os leites passaram de 4,20% para 5,85%.

Outro vilão do IPC na primeira quadrissemana de maio foi Transportes, devido ao aumento da gasolina, que apesar de esperado, surpreendeu na magnitude. Para o grupo, a Fipe esperava avanço de 0,74%, mas teve elevação de 0,88% (ante 0,59%), enquanto a gasolina subiu de 3,67% para 4,97%.

"Agora deve se estabilizar, mas esse aumento forte deve ser sentido ao longo do mês, pois demora a devolver. Além disso, com os reajustes diários da Petrobras, o preço não vai voltar ao patamar anterior à crise." Da mesma forma, etanol (-6,37% para -3,28%) deve começar a subir pelo movimento de sazonalidade típico.

"E não sabemos qual será o aumento de demanda de etanol pelo preço da gasolina. Assim, o biocombustível deve parar de amenizar o índice, mas, por outro lado, os itens in natura devem ter normalização rápida e começar a ter alívio depois do efeito da greve."

Para Transportes, a expectativa para a segunda quadrissemana é de avanço de 1,09% e, para Alimentação, é de 2,15%, enquanto o IPC, segundo a expectativa da Fipe, deve alcançar 0,71%. No fim do mês, os grupos devem desacelerar para 0,64% e 2,04%, respectivamente. A projeção para o IPC é de 0,69%.

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