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SNIC: Após greve, indústria do cimento passa a prever queda nas vendas anuais

Circe Bonatelli

São Paulo

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) decidiu revisar as projeções de vendas do setor neste ano após as perdas provocadas pela paralisação dos caminhoneiros. A instituição, que previa alta de 1% a 2% nas vendas, agora espera que o desempenho no ano fique no campo negativo. Se confirmado, será o quarto ano seguido de retração da indústria do cimento.

"O resultado de maio já neutralizou a expectativa de um dado positivo em 2018 no setor", afirmou o presidente do SNIC, Paulo Camillo Penna, em entrevista ao Broadcast. "Agora vamos ver qual será o impacto da paralisação no mês de junho para termos segurança em definir a nova projeção. Mas podemos dizer que vamos ficar no vermelho", completou.

Segundo balanço publicado nesta segunda-feira, 11, pelo sindicato, as vendas de cimento no mercado brasileiro em maio somaram 3,6 milhões de toneladas, uma queda de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2017. As vendas acumuladas nos primeiros cinco meses do ano alcançaram 20,4 milhões de toneladas, recuo de 4,5%. Já em 12 meses, as vendas totalizaram 52,4 milhões de toneladas, quantidade 5,1% menor.

Penna observou que 96% da distribuição de cimento no País se dá pelo modal rodoviário. Com a paralisação dos caminhoneiros, as vendas diárias caíram do patamar diário de 200 mil toneladas para até 6 mil toneladas.

"O setor deixou de vender cerca de 900 mil toneladas no mês", frisou o presidente do sindicato.

Segundo ele, as vendas de cimento levarão um total de até três semanas para serem completamente normalizadas, pois dependem da regularização da chegada de insumos às fábricas. "Muito provavelmente teremos outro dado negativo de vendas em junho", estimou.

Penna acrescentou que a expectativa para o segundo semestre ainda é de um ritmo muito lento de recuperação da economia brasileira, considerando os indicadores fracos da atividade de setores como a indústria e o comércio, confiança baixa entre consumidores e empreendedores, e incertezas provocadas pelo cenário eleitoral.

Além disso, com a nova tabela de frete, os custos ficarão ainda mais elevados para a indústria do cimento, uma vez que o frete corresponde a cerca de 20% a 40% do preço final do produto.

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