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BC: ajuste na projeção de alta do crédito para 3,0% é consistente com recuperação

Fabrício de Castro

Brasília

12/06/2018 16h50

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, afirmou nesta terça-feira, 12, que o ajuste na projeção do BC para o saldo de crédito em 2018, de alta de 3,5% para elevação de 3,0%, está consistente com o cenário de recuperação da economia. Ele minimizou a redução da projeção de alta para o ano.

A nova projeção consta no Relatório de Economia Bancária (REB), divulgado pelo BC na manhã desta terça. Já a projeção anterior havia sido divulgada no fim de março.

No REB, a projeção para o saldo de crédito direcionado (BNDES e poupança) foi de alta de 1,0% para recuo de 1,0%. No caso do crédito livre - que exclui operações com recursos de BNDES e poupança -, a projeção do BC passou de alta de 6,0% de saldo em 2018 para avanço de 7,0%.

Na apresentação dos dados, Viana também citou que a inadimplência no Brasil atingiu o pico em meados de 2017 e, desde então, passou a recuar.

Concentração bancária

O diretor de Política Econômica do Banco Central afirmou também que, apesar do aumento da concentração bancária nos últimos anos, houve melhora no nível de competição.

No REB, o BC reconheceu que o Brasil está entre os países com sistemas bancários mais concentrados. Ao mesmo tempo, a instituição defendeu que a relação entre concentração e spreads não é tão direta quanto o senso comum pode sugerir. "Concentração e concorrência não têm ligação tão direta assim", afirmou Viana, durante a coletiva à imprensa.

Pelos dados apresentados no REB, os cinco maiores bancos do Brasil concentraram 82% dos ativos totais em 2016. Dez anos antes, em 2006, este porcentual era de 60%. Entre outros países emergentes, a China aparece com porcentual de 37% em 2016, a Coreia do Sul soma 62%, a Índia soma 36%, o México tem 70% e Cingapura registra 42%.

Viana também foi questionado, durante entrevista coletiva, sobre o fato de o BC utilizar, no REB, comparações com países da Europa, quando o assunto é concentração e spread, e os Estados Unidos, quando o assunto é taxa de juros em operações com cartões de crédito. O diretor foi questionado se esta escolha de países não favoreceria as comparações, sob o ponto de vista das próprias instituições financeiras.

De acordo com o diretor, "não há nenhuma escolha estratégica de dados no REB". "Posso mencionar outros países que não estão no bloco (europeu) e que, no fundo, geram o mesmo resultado de concentração e spread", pontuou. "Não é apenas no conjunto de países europeus que não se enxerga relação entre concentração e spread", acrescentou.

No caso das taxas dos cartões de crédito dos EUA, a conclusão é a mesma, segundo Viana. "Poderíamos ter feito com a Europa e a conclusão (da comparação com os EUA) seria a mesma", disse ele.

E continuou: "Não temos aqui evidência empírica de que juros mais elevados levam a maior inadimplência."

"O ponto importante é que devemos reduzir o custo do crédito de maneira estrutural", defendeu o diretor do BC. "Canetada para reduzir o custo do crédito não dá certo. Já tivemos esta experiência no passado", acrescentou. "Não se trata de estar ou não satisfeito. Mais concorrência é o que buscamos."

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