ipca
-0,09 Ago.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Maggi diz perceber 'má vontade' da China para negociar barreiras protecionistas

Nayara Figueiredo

São Paulo

06/09/2018 14h19

São Paulo, 6 - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que percebe uma "má vontade" por parte dos chineses em negociar barreiras comerciais impostas pelo país asiático à compra de produtos do Brasil. "Eles olham muito o mercado interno e, na iminência de qualquer risco à produção deles, se retraem", disse ao deixar o seminário Brasil-China, realizado na capital paulista.

Maggi conta que, antes que as tarifas antidumping fossem aplicadas sobre o frango brasileiro, "houve uma cerca garantia de que elas não iriam acontecer, mas aconteceram".

Nesta quinta-feira, 6, o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, reafirmou declaração já dada pelo presidente chinês, Xi Jinping, ao dizer que "ama a carne brasileira".

Ainda assim, segundo o ministro da Agricultura, não há nenhuma sinalização de que haverá redução ou retirada das tarifas antidumping.

Sobre a abertura de um painel na Organização Mundial de Comércio (OMC) para contestar o caso, Maggi afirmou que já foi feita análise no governo e estudos comprovaram que há possibilidade de o Brasil sair vitorioso nos questionamentos que serão levantados, sobre barreiras chinesas ao açúcar e ao frango do Brasil. "Recebemos a autorização para seguir à OMC e levaremos para frente esta consulta", disse.

EUA

Como resultado da guerra comercial entre China e Estados Unidos, os exportadores norte-americanos já estão mais competitivos que os brasileiros no mercado europeu e "isso vai se agravar", disse Maggi.

Ele explicou que, no início, este movimento passava despercebido porque as empresas brasileiras e norte-americanas têm contratos já firmados a cumprir, mas, com o passar dos meses, na hora de renovar esses contratos, os compradores vão olhar a diferença de preços entre os dois países e podem dar preferência aos Estados Unidos.

"Eles podem ampliar o fornecimento de carnes, soja, farelo e óleo. Nosso temor é que eles ganhem o mercado europeu e, logo em seguida, voltem às relações com a China. Se isso acontecer, os americanos ficarão com uma vasta parcela da soja, derivados (e carnes) que, inicialmente, seria do Brasil", explicou o ministro.

Mais Economia