ipca
0,45 Out.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

BoE mantém taxa básica de juros em 0,75% e cita que perspectiva global piorou

Niviane Magalhães

São Paulo

01/11/2018 09h39

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), como amplamente esperado pelos mercados, deixou a taxa de juros inalterada em 0,75% ao ano e alertou que as perspectivas para a economia global se agravaram, apontando que o protecionismo crescente e os estresses nos mercados emergentes correm o risco de pressionar o crescimento. Todos os dirigentes da autoridade monetária inglesa foram unânimes em deixar a taxa inalterada e manteve seu programa de compra de ativos em 435 bilhões de libras.

Segundo a instituição, a economia global continua a crescer acima das taxas potenciais, apoiando o comércio líquido do Reino Unido. No entanto, o crescimento diminuiu e se tornou mais desigual entre os países, e os riscos de queda aumentaram. "As condições financeiras globais se agravaram, particularmente nas economias de mercados emergentes, e a atividade desacelerou na zona do euro. As restrições comerciais aumentaram e existe o risco de uma nova escalada", destacou o BOE em documento, apontando que elevação de 10% nas tarifas dos EUA sobre parceiros reduziria produção global em 1%.

A instituição citou sinais de crescimento mais lento nas economias de mercados emergentes e observou que os laços comerciais e financeiros do Reino Unido com a Argentina e a Turquia são "limitados".

Em seu relatório trimestral de inflação, o banco central do Reino Unido também detalhou mais do que antes os riscos econômicos em torno de um rompimento abrupto e confuso entre o Reino Unido e a União Europeia, e como isso poderia responder. Segundo o BoE, após o Brexit, a política monetária não será alterada de forma automática e que "poderá ocorrer em qualquer direção", podendo cortar os juros para sustentar o crescimento ou elevar para controlar a inflação descontrolada.

Para a autoridade monetária, em caso de um acordo do Brexit, a libra pode se beneficiar e os investimentos aumentos. Mas, um não acordo poderia levar à uma queda acentuada na capacidade de fornecimento e enfraquecer a libra.

"Uma retirada abrupta e desordenada poderia resultar em atrasos nas fronteiras, interrupções nas cadeias de suprimentos e mudanças mais rápidas e caras nos padrões de produção, prejudicando severamente a capacidade produtiva das empresas do Reino Unido", disse o comitê.

As novas previsões para o crescimento e a inflação no Reino Unido foram muito semelhantes às da última avaliação trimestral, um sinal de que as autoridades acreditam que elas continuarão no caminho certo para elevar as taxas de juros de duas a três vezes nos próximos três anos. No entanto, o BOE acrescentou que as perspectivas do Reino Unido são obscurecidas pela incerteza sobre o Brexit e com luzes de advertência piscando na economia global.

Para o BoE, a inflação ficará acima da meta de 2% até o fim de 2021 e prevê que o PIB crescerá 1,3% em 2018 e 1,7% por ano entre 2019 e 2021.

Mais Economia