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Carney vê cenários em que os juros aumentariam com nenhum acordo do Brexit

Niviane Magalhães

São Paulo

01/11/2018 11h20

Embora o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney, tenha repetido diversas vezes que um cenário de "não acordo e sem transição" do Brexit não faz parte da perspectiva da instituição, ele afirmou que todos os cenários estão sendo trabalhados e "seja qual for o Brexit, trabalharemos para estabilizar os preços na economia", apontando que os juros poderiam subir em caso de um não de acordo.

Em sua coletiva de imprensa após a decisão de juros do BoE, que hoje manteve a taxa em 0,75%, Carney afirmou que sob um cenário do Brexit sem acordo e sem período de transição, o Banco da Inglaterra precisaria distinguir entre interrupções de curto prazo e "mais estruturais" do fornecimento. "Interrupções de curto prazo incluem problemas logísticos relacionados à obtenção de mercadorias através dos portos e aos efeitos indiretos sobre as habilidades de uma série de empresas produzirem a plena capacidade".

Questões mais estruturais estão relacionadas ao fato de o Reino Unido ter acesso "menos" ou "mais caro" aos mercados europeus, onde as empresas seriam forçadas a se reorientarem para mercados domésticos ou para outros países. "Seria um conjunto de circunstâncias extremamente incomum", disse Carney, acrescentando que no caso de um Brexit com ruptura, "provavelmente seriam impostas tarifas" e que elas poderia impactar fortemente a inflação.

Diante disso, Carney afirmou que as taxas de juros poderiam subir no caso de um não acordo, "embora essa não seja a resposta mais provável que os dirigentes de políticas preveem". Embora "não seja o cenário mais provável", um Brexit sem compromisso seria "um conjunto de circunstâncias extremamente incomum", levando a um acerto de oferta que é "potencialmente bastante grande" e "certamente mais rápido do que estamos acostumados a avançar".

O BoE "precisaria equilibrar as consequências inflacionárias daquilo" contra o apoio que poderia dar a uma economia tensa. Ele acrescenta que o BOE tem flexibilidade para reduzir seu prazo de dois anos para trazer a inflação de volta ao alvo.

Segundo Carney, diante da aproximação do Brexit, as empresas estão postergando investimentos por incerteza e que no caso de acordo poderia ajudar a livrar o investimento reprimido. Sobre os bancos, o presidente falou que ele está "tranquilamente confiante sobre os preparativos dos bancos para o Brexit". Questionado se ele teria algum ponto a melhorar para chegar a um acordo do Brexit, Carney disse que o plano de Chequers, da premiê britânica, Theresa May, "seria melhor do que qualquer previsão do BOE.

Sobre a informação que o jornal Times divulgou de que May teria fechado um acordo com Bruxelas que dará às empresas de serviços financeiros locais a continuidade de acesso aos mercados europeus após o divórcio, Carney disse que "governo não reconhece relatos sobre acordo de serviços financeiros com UE".

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