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Presidente eleito merece 'benefício da dúvida', afirma presidente do Santander

Aline Bronzati

São Paulo

01/11/2018 08h10

O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, sugeriu que a sociedade dê o "benefício da dúvida" ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Para Rial, o Brasil, que tem mais de 11 milhões de desempregados, não necessita de acirramento de ânimos e polarização neste momento, mas de uma convergência de esforços para a construção de um País melhor, com uma imprensa livre e plural.

"O grande momento hoje para a nação é aceitar a democracia. Naturalmente, não é possível que todos estejam felizes, mas houve um processo democrático. O Brasil merece o melhor sob o ponto de vista econômico", disse o executivo a jornalistas ontem, durante a divulgação dos resultados trimestrais do banco.

Entre os pontos que o novo governo deveria trabalhar, conforme Rial, está a desconstrução dos monopólios ainda existentes no sistema financeiro brasileiro e a desconexão do poder público com os bancos públicos. O presidente do Santander defendeu ainda maior competição no setor a partir de estímulos vindos do próprio Estado e citou como exemplos a gestão do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), depósitos judiciais e folha de pagamentos aos servidores federais. "Ninguém quer a ruptura para bancos públicos, mas uma agenda mais completa de competitividade", disse.

Polarização

Rial afirmou que as declarações do novo governo ainda são esporádicas, mas que o caminho para a futura gestão é redimensionar o tamanho do Estado, buscando uma maior eficiência. "O Brasil demonstrou um processo democrático fabuloso. O exercício da democracia, apesar de polarizado, o que não acontece só aqui, foi positivo", ressaltou.

O executivo do banco espanhol afirmou ainda que no atual momento no Brasil não interessa acirramento de ânimos aos 200 milhões de brasileiros e que não se deve buscá-lo onde não existe. "Não busquemos acirramento onde não há. Busquemos a convergência da construção de um melhor País. Neste momento, existe um presidente eleito e, a partir de janeiro, a voz da maioria se faz ouvir", destacou o executivo. E acrescentou: "Acatemos."

O executivo disse que a alternância em uma gestão é sempre positiva, seja no cargo de um CEO de uma empresa ou na Presidência da República. Apesar de não conhecer a estrutura governo que assumirá em janeiro de 2019, ele afirmou que buscar um "novo desenho" é positivo.

Rial acrescentou ainda que a independência do Banco Central é um passo na direção correta. Segundo ele, a indicação de alguns cargos - como os diretores de agências reguladoras, por exemplo - deveriam adotar um sistema que transcenda governos específicos.

O executivo não quis comentar diretamente as críticas que o presidente eleito dirigiu aos veículos de comunicação. Disse, porém, que "qualquer empresa em qualquer país democrático vê o mérito total de uma imprensa livre". "Isso não tira o direito de cada um de nós de ter uma visão diferente. Acho que, com o presidente eleito, (...) eu sugeriria que déssemos o benefício da dúvida a ele", acrescentou o presidente do Santander Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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