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Mercado aposta no potencial da Bike elétrica

Cleide Silva

São Paulo

02/12/2018 09h51

Veterano no segmento de bicicletas no Brasil - seu pai construiu a primeira fábrica da Caloi em 1945 -, o empresário Bruno Antonio Caloi Júnior, mais conhecido por Tito, vai inaugurar em maio uma fábrica na Zona Franca de Manaus para produção de modelos elétricos. Orçada em R$ 10 milhões, terá capacidade inicial para 3 mil unidades ao ano.

O segmento de e-bikes no Brasil hoje é apenas um nicho, com participação de 0,35% das vendas totais. Investidores brasileiros, contudo, apostam em comportamento similar ao que ocorre na Europa, que vem crescendo nos últimos dez anos e hoje responde por 30% a 40% das vendas totais. "Achamos que essa tendência vai chegar aqui e quem estiver pronto para atender a essa demanda sairá na frente", afirma Tito, presidente da Tito Bikes.

Ele produz bicicletas tradicionais em Mococa (SP) com as marcas Tito - criada depois da venda da Caloi, em 1999 -, e Groove, que serão mantidas nos modelos elétricos. Antes de iniciar a produção em série, 120 unidades foram montadas para teste e 90% delas foram vendidas a preços a partir de R$ 6,5 mil.

A expectativa de crescimento do mercado brasileiro é compartilhada por outros empresários que estão iniciando ou ampliando produção. A Empresa Brasileira de Mobilidade Sustentável (EBMS), criada por uma holding de investimentos, iniciou em março a montagem de bicicletas elétricas da marca Pedalla em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Foram investidos R$ 15 milhões no projeto, diz José Wilson de Oliveira, diretor executivo da empresa.

A capacidade produtiva começa em cerca de 7 mil unidades ao ano, mas o objetivo futuro é passar de 20 mil. A maioria dos componentes será inicialmente importada, estratégia também usada pelos demais produtores que se queixam do preço e da falta de oferta local. Não há, por exemplo, fabricante de motores e baterias de lítio no País.

"Acreditamos muito nesse mercado e entendemos que, para grandes centros urbanos, não há outra solução a não ser a de mobilidade compactada, de baixo custo (em relação ao automóvel), mais adequada para o trânsito congestionado, que exige menos espaço para estacionamento e ainda gera mais qualidade de vida", afirma Oliveira.

Os modelos disponíveis da Pedalla custam de R$ 4 mil a R$ 9 mil (versões urbanas) e R$ 6,5 mil (fat bike para uso misto). A EBMS espera vender 500 a 600 unidades e dobrar o volume no próximo ano. Para Oliveira, o ritmo de crescimento do mercado depende de mudanças tributárias. A bicicleta elétrica paga IPI de 35% e a convencional, 10%. Igualar a tarifa reduziria o preço em 18%, diz a Aliança Brasil (associação do setor de bicicletas).

Projeção

Estudo divulgado na semana passada pela associação Aliança prevê para este ano vendas de 31 mil bicicletas elétricas, número pequeno em relação às vendas de modelos tradicionais, mas 70% superior ao de 2017. A entidade projeta crescimento consecutivo até 2022, quando deve atingir vendas de 280 mil unidades, ou 6,6% do mercado total de duas rodas.

A Caloi, agora pertencente ao grupo canadense Dorel, desenvolve em parceria com a japonesa Shimano - maior fornecedora global de peças -, uma versão elétrica com preço mais acessível, na faixa de R$ 4 mil, para ser vendida a partir de 2019.

A empresa detém mais de 50% do mercado e deve produzir este ano cerca de 600 mil bicicletas na Zona Franca. A participação das elétricas ainda é pequena, diz o gerente de produto Marcos Ribeiro. O grupo dispõe de dois modelos que começaram a ser produzidos em 2017 e custam R$ 8 mil (urbana) e R$ 13 mil (mountain bike).

Bicicletas compartilhadas

Não é só a produção local que tem atraído investidores para o segmento de bicicletas elétricas. Empresas de locação e de compartilhamento de automóveis também estão apostando nessa modalidade de transporte. Recentemente o Uber anunciou que vai oferecer bikes com essa tecnologia no País, de sua coligada Jump, embora não tenha informado datas.

A ALD Automotive, terceira maior administradora de frotas corporativas no Brasil, terá, a partir deste mês, bicicletas elétricas disponíveis para compartilhamento entre seus clientes. Até o fim de 2019 serão 100 unidades, informa Pedro Reis, presidente da empresa.

Segundo ele, as bikes serão usadas por funcionários e executivos das empresas que já utilizam veículos da ALD - que administra frota de 29 mil automóveis, dos quais 23 mil são próprios. Também há grandes empresas que vão usá-las para locomoção interna de funcionários.

As bicicletas serão fornecidas pela startup de locação E-moving e a ALD instalará pequenos totens para carregamento de bateria, além de fornecer capacetes. Todo o processo para locação e liberação é pelo celular. "Percebemos que os clientes estão interessados em soluções alternativas de mobilidade e queremos ter produtos para atender todos os perfis", diz Reis.

Fila

Há dois meses, Victor Hugo Cruz, engenheiro de 29 anos e fundador da Vela Bikes, mudou sua fábrica do bairro de Pirituba, em São Paulo, onde produzia 60 bicicletas por mês, para um imóvel maior em Diadema, no ABC paulista. Hoje produz 200 unidades mensais, mas tem estrutura para chegar a mil.

"Nosso primeiro objetivo é eliminar a fila de espera por nossos produtos, que hoje é de dois a três meses", informa Cruz. Além de vender pela internet, a Vela tem quatro lojas em São Paulo, Rio, Brasília e Curitiba.

A Vale Bike recebeu capital de R$ 2,3 milhões de investidores-anjo e R$ 330 mil por meio de financiamento coletivo e busca novos investidores.

A bicicleta Vale tem quadro desenvolvido pelo próprio Cruz e é produzido com exclusividade por uma empresa de Taiwan, mas a intenção é nacionalizar o produto. Vários componentes são importados. A empresa já faz localmente a pintura, o canote e a carcaça da bateria, entre outros itens.

"Fazemos bicicletas personalizadas", diz Cruz. A marca tem cinco opções de tamanho para se adaptar melhor à altura do usuário, que também tem opção de escolher a cor entre 13 tonalidades diferentes. Os preços variam de R$ 4,8 mil a R$ 5,9 mil.

O mercado de e-bikes no Brasil é bastante pulverizado e calcula-se que há entre 40 a 50 empresas com linhas de montagem, a maioria de pequeno porte. Mundialmente, várias montadoras estão anunciando projetos para atuar nesse segmento, entre as quais Audi, Ford, General Motors e Volkswagen. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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