IPCA
0.11 Ago.2019
Topo

Caixa executa garantias da Odebrecht

Cynthia Decloedt e Renée Pereira

14/06/2019 11h03

A Caixa Econômica Federal deu andamento à execução de garantias de dívidas da Odebrecht S.A, apurou o 'Estadão/Broadcast'. A execução corre em segredo de Justiça, como desdobramento da pressão que o banco público vem fazendo contra o grupo desde o pedido de recuperação judicial da Atvos, seu braço de açúcar e álcool.

Com dívidas de R$ 70 bilhões, o controlador tem ficado sem opções para escapar de uma recuperação judicial --processo que os executivos e acionistas do grupo têm evitado ao máximo. Entretanto, segundo fontes próximas ao conglomerado, o processo está sendo concluído para um eventual pedido de proteção à Justiça na próxima semana. Tudo, porém, vai depender da Caixa, disse um executivo ligado à negociação.

As garantias que estão sendo executadas agora, de acordo com três fontes ouvidas, são relacionadas a dívidas do Itaquerão, estádio do Corinthians.

Após o pedido de recuperação judicial da Atvos, a Caixa informou que executaria as garantias dadas pela Odebrecht S.A. a empréstimos feitos pelas empresas que controla. Assim, o banco e outros credores aceleraram os pedidos de execução das dívidas da Atvos. Foi um procedimento formal, sem efeito prático, já que a companhia está protegida pela Justiça. Porém, foi um passo necessário à execução das garantias do grupo.

Apesar do início de execução pela Caixa, o rito legal deixa uma janela de tempo, ainda que pequena, para o grupo seguir negociando com os bancos.

Essa negociação envolve atender ao pedido da Caixa de obtenção de ações da Braskem como garantia à sua exposição ao grupo. Somente Caixa e o Banco Votorantim não têm seus créditos cobertos por ações da petroquímica. A exposição da Caixa na Odebrecht supera R$ 2 bilhões.

Para dar ações da Braskem, a Odebrecht precisa, no entanto, do aval dos demais bancos detentores de papéis. Além disso, como as ações caíram, o valor da Braskem hoje é insuficiente para cobrir dívidas.

Dividendos

Uma notícia positiva para o conglomerado nesta semana foi a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de liberar a Braskem para fazer o pagamento dos dividendos aos seus acionistas.

O pagamento havia sido bloqueado em abril, após pedido do Ministério Público e da Defensoria Pública de Alagoas, devido aos estragos ocorridos em bairros de Maceió por causa da extração de sal-gema na região, pela petroquímica. A decisão vai liberar R$ 1 bilhão para a Odebrecht.

Procurada, a Odebrecht não comentou. A Caixa disse que não comenta processos judiciais em curso.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Vazamentos sugerem que Moro orientou investigações da Lava Jato

UOL Notícias

Mais Economia