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Cumprimento de meta fiscal é inegociável, diz secretário

Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica do Ministério da Economia - André Dusek/Estadão Conteúdo
Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica do Ministério da Economia Imagem: André Dusek/Estadão Conteúdo

Renata Agostini e Eduardo Rodrigues

Brasília

21/06/2019 10h05

Após ter feito de tudo no mês passado para evitar o custo político de um novo contingenciamento no Orçamento deste ano, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirma que o governo voltará a cortar despesas caso isso seja necessário. Segundo ele, o cumprimento da meta fiscal é inegociável, mesmo que a máquina pública corra o risco de ficar paralisada diante de novos bloqueios.

"É importante deixar muito claro que esse é um governo pró-mercado, que vai defender a responsabilidade fiscal sempre. O que que eu posso fazer? Se não tem dinheiro, não pode gastar. Nós não cometeremos os mesmos erros de governos passados. Não vamos dar mais bebida para o bêbado. Quem pensar em estourar a meta fiscal está exonerado", afirmou o secretário, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", referindo-se à intransigência do ministro da Economia, Paulo Guedes, quando o assunto é responsabilidade fiscal.

O governo tem de fazer uma reavaliação das receitas e despesas previstas para o ano a cada dois meses. Em março, diante da revisão para baixo das estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, a equipe econômica anunciou contingenciamento de R$ 29,8 bilhões em gastos.

A medida impôs forte bloqueio de despesas em todos os ministérios e trouxe enorme desgaste político ao governo Jair Bolsonaro ao desembocar em grandes manifestações de rua contra cortes de recursos para as universidades federais.

A pressão popular fez com que, em maio, mesmo com nova redução das projeções para o crescimento do país neste ano, a equipe econômica lançasse mão de uma reserva orçamentária para evitar que um novo contingenciamento precisasse ser anunciado.

De lá para cá, as projeções dos economistas para o PIB apenas pioraram. O último Relatório Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central a partir das respostas de analistas do mercado financeiro, apontou para um crescimento inferior a 1% neste ano. Menos atividade significa menor arrecadação de impostos, o que pode obrigar o governo ter que bloquear ainda mais as despesas no fim de julho. A "reserva orçamentária" agora já foi usada.

'Shutdown'

Sachsida não descarta a possibilidade de um chamado "shutdown" --ou paralisação-- de parte da máquina pública por falta de recursos.

"A situação está difícil. Você fala em 'shutdown' do governo, mas vamos falar de 'shutdown' de famílias, com a quantidade de gente desempregada que está aí. Não faz sentido o setor público ser diferente", completou o secretário.

Como o governo não pode deixar de pagar despesas obrigatórias --como salários dos servidores e benefícios da Previdência--, todo contingenciamento do Orçamento atinge as chamadas despesas discricionárias, que incluem investimentos, bolsas, manutenção de prédios, compras de materiais de escritório e até mesmo as contas de luz e água dos prédios públicos.

Por isso, um "shutdown" na máquina pública impediria que muitos órgãos simplesmente abrissem as portas para funcionar --como ocorreu no começo deste ano nos Estados Unidos.

O Brasil nunca viveu uma situação como essa, mas há tempos flerta com o esgotamento dos recursos para o funcionamento mínimo da máquina. A última vez que chegou perto foi no governo Michel Temer, quando, durante alguns dias, a população ficou sem emissão de passaporte, houve suspensão das atividades de escolta e fiscalização da Polícia Rodoviária Federal e o atendimento das agências do INSS ficou prejudicado.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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