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IPC-S na 3ª quadri reforça previsão de deflação no fim do mês, diz FGV

Maria Regina Silva

São Paulo

24/06/2019 13h28

A queda de 0,05% na taxa do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da terceira quadrissemana de junho, após alta de 0,04% na segunda, reforça a projeção da Fundação Getulio Vargas (FGV) de deflação em torno de 0,10% no fim do mês. A afirmação é do economista da FGV André Braz, ao comentar o dado da terceira leitura. "Reforça que finalmente a deflação chegou, e, não, só por causa de Alimentação, e que será mais intensa, sobretudo pelo aprofundamento na queda dos preços no grupo Transportes", explica.

A última vez em junho em que o indicador ficou negativo foi em 2017, quando cedeu 0,32%. Em 2018, no entanto, por causa dos impactos da greve dos caminhoneiros, o IPC-S teve variação positiva de 1,19%.

Da segunda para a terceira medição do mês, o conjunto de preços de Transportes passou de recuo de 0,27% para declínio de 0,63%. Braz explica que esse movimento foi puxado principalmente pelo alívio nos preços da gasolina, que ficou 2,04% mais barata na terceira quadrissemana ante retração de 0,71% na segunda.

O movimento, diz, reflete a queda do petróleo e a valorização cambial recentemente. Já a alta de 21,31% em passagem aérea, depois de 21,83% na segunda quadrissemana, limitou recuo mais profundo em Transportes.

Apesar de ter reduzido o ritmo de queda, o grupo Alimentação também contribuiu para a deflação do IPC-S da terceira quadrissemana do mês. A variação negativa desta classe de despesa passou de -0,55% para -0,42%, após aceleração no recuo nas últimas três leituras. Na terceira quadrissemana de maio, caiu 0,18%, apresentando recuo de 0,37% no fim do mês passado e tendo declínio de 0,49% na primeira quadrissemana de junho.

"Acelerou por causa de hortaliças e legumes -5,15% para -3,06%. Tem um limite para a queda dos preços, que estão baixos devolvendo as altas passadas por causa de choque", explica Braz. "O IPC-S deste mês deve ser um bom drive do que deve ser o IPCA Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de junho. O IPC-S pode até ter queda um pouco maior que a estimada em 0,10%."

A desaceleração na velocidade de alta no grupo Habitação, que saiu de 0,28% para 0,13% na terceira quadrissemana também permitiu recuo do IPC-S, cita. A tarifa de eletricidade residencial acelerou o ritmo de queda de 0,13% para 1,08% na terceira quadrissemana do mês, por causa da mudança de bandeira para verde (sem cobrança extra).

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