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Endereçamento da agenda fiscal é importante para reduzir incertezas, diz BC

Maria Regina Silva, Thaís Barcellos, Circe Bonatelli e Cynthia Decloedt

São Paulo

27/06/2019 17h34

O endereçamento da agenda fiscal é importante para reduzir as incertezas e as expectativas, disse nesta quinta-feira, 27, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra, após palestra durante o evento "Finanças Mais" do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) e do jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista. "Não somos nós BC que ligamos a política monetária às reformas, mas o cenário exige", afirmou, completando que é essencial para consolidar o quadro positivo para o Brasil.

O diretor disse que a definição da meta inflacionária pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) tem pouco impacto sobre a política monetária.

Segundo ele, o alongamento da decisão para três anos da meta de inflação é justamente para tirar do horizonte da política monetária. "Definição da meta de inflação pelo CMN não impacta estratégia atual do BC", disse.

Cenário do câmbio

O diretor de Política Monetária do Banco Central disse ainda que o BC tem observado sinais de escassez de dólar no mercado local, que tem se intensificado nos finais de trimestre. Segundo ele, essa falta de liquidez está relacionada com o crescimento do mercado de capitais, que tem feito que seja mais fácil e barato as empresas se financiarem.

As afirmações foram feitas na abertura do evento "Finanças Mais". "O desempenho do real tem sido adequado este ano, não nos parece que haja demanda por risco cambial, mas de fato tem faltado liquidez no Brasil, porque as empresas estão acessando o mercado de capitais. Está mais barato, está mais simples. O volume de recursos tem crescido bastante."

Serra disse que o BC tem procurado suavizar esses impactos fazendo oferta de dólar via leilão de linha, que segundo ele, tem sido o instrumento preferido por essa questão conjuntural, e que não é uma mudança de estratégia da nova diretoria do BC. "Leilões de linha servem para dar liquidez ao mercado. E o BC fez."

O diretor afirmou que seria "forçoso" reconhecer que a própria posição do BC afeta o swap cambial, e que é dever da autoridade monetária reavaliar os custos e oferecer as alternativas. Segundo ele, o BC tem "estoque vendido de US$ 70 bilhões nesse instrumento". A posição já foi de mais de US$ 20 bi comprada entre 2006 e 2008.

Serra destacou que o cenário internacional está mais adverso e que há evidências de desaceleração global, o que tem aberto caminho para afrouxamento monetário, favorecendo economias emergentes como a brasileira. "Não tem sido diferente com o real. Não só em relação ao dólar, mas ante outras moedas emergentes", disse.