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Ferraz: Brexit faria Mercosul ter de firmar acordo comercial só com britânicos

Daniela Amorim

Rio de Janeiro

24/07/2019 17h52

A eventual saída do Reino Unido da União Europeia pode fazer o Mercosul ter de costurar um novo acordo comercial só com os britânicos, segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz.

Dependendo das condições em que ocorra o Brexit, o acordo do Mercosul com a União Europeia (UE) deixaria de valer para os britânicos, disse Ferraz a jornalistas, durante encontro com empresários na Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), no Rio. "Por ora, o acordo é composto com a participação do Reino Unido", explicou.

O novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reforçou nesta quarta-feira, 24, que o Reino Unido deixará a União Europeia na data-limite de 31 de outubro deste ano, com ou sem acordo firmado com o bloco econômico.

"Para o Brasil, o interessante é que a gente mantenha os parâmetros do acordo como eles estão hoje. Portanto, se sai o Reino Unido, a nossa ideia é que o Mercosul renegocie um possível novo acordo com o Reino Unido nos mesmos parâmetros que foram negociados com o continente europeu", afirmou Ferraz.

A parte comercial do acordo firmado com o bloco europeu deve começar a vigorar em um ano e meio, tempo necessário para que seja aprovado no Conselho e Parlamento europeus, estimou Ferraz. Já o acordado na área de cooperação e política - que envolve questões como combate à corrupção, meio ambiente e direitos humanos - exigiria um tempo maior para aprovação, um ano mais.

"Aprovada a parte comercial, o acordo já começa a entrar em vigor de forma provisória. No final do ano que vem e começo de 2021, a gente estaria já começando o processo de revisão das tarifas", previu Ferraz.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, o governo espera assinar um acordo até o fim do ano com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta, na sigla em inglês), bloco econômico que reúne Suíça, Liechtenstein, Noruega e Islândia.

"Certamente assinaremos ainda este ano, com alto grau de certeza, um acordo com a Efta. A gente vai ter uma próxima rodada acredito que em 30 dias, ainda não está definitiva a data, e possivelmente ou nessa rodada ou numa rodada próxima, até outubro, a nossa ideia é concluirmos esse acordo. É importante porque, apesar de ser uma região pequena, é provavelmente o PIB per capita mais alto da Europa. Seria algo como mais de uma vez e meia o PIB da Argentina, algo como US$ 1,1 trilhão. Portanto, não é algo pouco significativo, pelo contrário, seria um mercado interessante para o Mercosul", justificou Ferraz.

O governo espera ainda concluir acordos com Canadá, Cingapura e Coreia do Sul até o fim do ano que vem. Estados Unidos e Japão também estão em "diálogos exploratórios", afirmou o secretário. "A gente está muito otimista que até o final desse mandato a gente consiga concluir essas negociações", resumiu.

As negociações seguiriam os moldes da executada com a União Europeia, que inclui livre comércio, mas também compromissos em serviços, investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual.