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Crédito manteve no primeiro semestre de 2019 trajetória de crescimento, diz BC

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues

Brasília

26/07/2019 12h16

O chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, destacou nesta sexta-feira, 26, que o mercado de crédito manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2019.

"O crédito do Sistema Financeiro Nacional cresceu 1,2% entre janeiro e junho, mantendo a trajetória que veio do ano passado. As operações com crédito livre cresceram 4,4% no período - sendo 6,8% para famílias e 1,5% para empresas", detalhou.

Mesmo com o nível elevado de desemprego no País, ele comentou que tem havido redução gradual da quantidade de desempregados na margem. "Esse aumento da massa salarial é a fonte do aumento do crédito para as famílias", apontou. "Um dos maiores crescimentos tem ocorrido no crédito consignado, cuja taxa em junho (22,8% ao ano) foi a menor da série história iniciada em 2004", completou.

Já a redução dos saldos no crédito direcionado para pessoas jurídicas se deve à continuidade da redução dos desembolsos do BNDES. "Os créditos do BNDES estão sendo substituídos por emissões no mercado de capitais doméstico", acrescentou.

Rocha destacou que o aumento da taxa média de juros nos últimos meses decorre da redução dos saldos no crédito direcionado - como os do BNDES, por exemplo, e que têm juros menores - e do aumento do crédito livre - que cobra juros maiores. "Mesmo que cada operação individual não tenha tido aumento de taxas, ocorre esse efeito de alta pela composição do estoque", explicou.

Rocha disse ainda que a redução do ritmo de expansão do crédito em junho se deve a movimento de baixa a prejuízo e liquidações de operações no mês. "Já as concessões dessazonalizadas tiveram volume consistente com a trajetória de crescimento do crédito no mês", acrescentou.

Cheque especial

Rocha disse que o aumento dos juros do cheque especial em junho decorre da elevação da taxa por um banco. A taxa média do cheque especial foi de 320,9% ao ano para 322,2% ao ano de maio para junho.

"Houve uma instituição financeira que aumentou suas taxas no cheque especial em junho", explicou.

Crédito ampliado total

Rocha destacou que o crédito ampliado total ao setor não financeiro atingiu um saldo de R$ 9,7 trilhões em junho, o equivalente 138,2% do PIB. O cálculo considera as dívidas de famílias, empresas e do governo geral nos mercados interno e externo.

"No mercado doméstico, destaca-se o mercado de capitais privado. Os títulos privados e os instrumentos securitizados são créditos que têm apresentado maior dinamismo", acrescentou. "Isso corrobora a tendência de troca de dívida no mercado externo pelo mercado doméstico".

Excluindo o endividamento do governo, o saldo de crédito total ampliado de famílias e empresas totalizou R$ 5,419 trilhões em julho, ou 77,5% do PIB.