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IPC-S deve arrefecer a 0,15%, principalmente por alívio em alimentos, diz FGV

Thaís Barcellos

São Paulo

01/08/2019 13h58

Ainda que o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) tenha acelerado entre junho e julho (-0,02% para 0,31%), há evidências de que a inflação está bem comportada, avalia o coordenador do índice na Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti. Além disso, Picchetti projeta que, em agosto, o índice volte a desacelerar, para 0,15%, principalmente em função do alívio esperado em Alimentação.

Um exemplo de que o cenário inflacionário é tranquilo é o núcleo do IPC-S, que repetiu a taxa de 0,20% de junho, mas desacelerou de 3,78% para 3,73% em 12 meses, diz Picchetti. O IPC-S, por sua vez, acumulou alta de 3,87%.

Outro fator é a desaceleração dos preços administrados no acumulado em 12 meses, de 7,35% em junho para 6,71% em julho, atingindo o menor patamar desde dezembro de 2013 (5,47%). O pico, segundo Picchetti, foi em outubro de 2015 (32,49%).

O economista nota que essa desaceleração ocorreu mesmo com o aumento de energia no sétimo mês (-2,21% em junho para 5,56% em julho) e ainda destaca que os preços administrados, mesmo com a desaceleração, tem sido uma das únicas pressões dentro do IPC-S, junto com os alimentos. Em 12 meses, Alimentação avançou em julho, de 4,64% para 5,65%. Na margem, a taxa passou de -0,09% para 0,35%.

Os serviços também seguem com acumulado superior ao índice geral em 12 meses até julho, de 6,22%. Mas os industrializados e os comercializáveis estão muito baixos, com alta de 0,91% e 1,62%, respectivamente.

Para agosto, a expectativa é que os alimentos voltem a desacelerar, influenciando todo o índice. Segundo Picchetti já há sinais nesse sentido, uma vez que as hortaliças e legumes já caíram 0,34%, de alta de 1,32% na terceira quadrissemana do mês.

O economista cita que tomate e batata devem ampliar a queda nas próximas leituras, enquanto a taxa de cebola, que tem sido a pressão para cima, deve se estabilizar. Em frutas (1,37% na terceira quadrissemana para 3,38%), o destaque tem sido mamão papaia (24,70% para 31,48%), mas a ponta já indica desaceleração.

Outro item que deve ajudar o IPC-S em agosto é passagem aérea, que já caiu 3,55% em julho (ante 5,50% na terceira leitura), mas deve recuar mais, já que a ponta é de -14%.

Por outro lado, energia deve ter impacto de alta no mês, tanto a conta de luz, com a adoção da bandeira vermelha 1, quanto os combustíveis, uma vez que a Petrobras elevou a gasolina nas refinarias na quarta-feira, 31.

No fechamento de julho, o preço da gasolina reduziu a queda, para 1,93%, de 2,28% na medição anterior, assim como o etanol (-3,58% para -3,49%).

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