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Peso que mercado dá a Brexit sem acordo é maior que antes, diz presidente do BoE

Nicholas Shores

São Paulo

01/08/2019 10h26

No penúltimo dia de uma semana em que tem ficado evidente uma percepção pelos mercados mais intensa do risco de um Brexit sem acordo, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney, argumentou que o peso traduzido nos preços de ativos que se dá a esse cenário "não é majoritário, mas sim maior que antes".

Hoje, o BoE decidiu manter a sua taxa básica de juros, a bancária, em 0,75% ao ano.

Na entrevista coletiva que sucedeu o anúncio da decisão, o canadense reiterou que a perspectiva econômica do Reino Unido continuará dependendo do Brexit e reforçou a presunção do BoE continua sendo a de uma separação da União Europeia (UE) "suave", já que essa é a intenção e a "política declarada" do primeiro-ministro Boris Johnson, a cujo governo "cabe a decisão, junto com a UE" de firmar ou não um acordo. Um entendimento "ainda é o desfecho mais provável", disse.

Mas, qualquer que seja o caminho escolhido pelo país para a separação, "sempre será melhor ter uma transição". "Se, como presumimos, um Brexit suave se materializar, os juros de mercado e a libra subiriam", previu.

Predominaram, contudo, as perguntas sobre o temido "no deal". Respondendo a elas, Carney comentou que uma "ruptura" dos mercados e da libra na hipótese da saída abrupta do bloco em 31 de outubro é "altamente improvável", mas garantiu que "a essência" do setor financeiro do Reino Unido está preparada para ela.

Ao abordar a preparação mais geral do país, ponderou: "O governo reconhece que mais passos são necessários."

O presidente do BoE argumentou que uma das incertezas é que "diferentes pessoas falam de diferentes Brexits sem acordo" e, portanto, o grau de estímulo monetário que a autoridade monetária adotaria em um cenário como esse "dependeria do que um Brexit sem acordo significa". Ainda assim, prometeu ao "povo britânico": "Tomaremos todas as medidas necessários durante estes tempos de exceção."

Carney elogiou a "abordagem" das famílias do Reino Unido em relação à imprevisibilidade do processo de saída do bloco. "Elas não estão tomando dívidas demais."

Em uma avaliação mais geral da economia, o canadense apontou que "uma margem de excesso de oferta está se formando", mas ponderou que ela seria "rapidamente consumida" após um eventual Brexit suave. Se não houver acordo nem extensão do prazo, por outro lado, haveria "não só um choque instantâneo sobre a demanda, mas também sobre oferta".

Questionado sobre se houve uma discussão na reunião do BoE sobre a possibilidade de uma "frente unida" com o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (Fed) no afrouxamento da política monetária, Carney afirmou haver muitas diferenças entre os ciclos dos três bancos centrais e posicionou o que ele comanda em um ponto "intermediário", no meio dos homólogos na zona do euro e nos Estados Unidos.

A pergunta veio pouco depois de Carney dizer que há sinais de que as tensões comerciais americanas com a China estão tendo um impacto maior do que o esperado anteriormente sobre a economia global.

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