IPCA
0,51 Nov.2019
Topo

Vendas e lançamentos de imóveis disparam em junho em São Paulo, diz Secovi-SP

Circe Bonatelli

São Paulo

08/08/2019 12h54

A capital paulista teve um crescimento forte em termos de vendas e lançamentos de imóveis residenciais novos no mês de junho, conforme pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 8, pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

As vendas de imóveis residenciais em junho de 2019 foram de 6.319 unidades, montante 176% maior do que no mesmo mês do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses até junho, as vendas de moradias totalizaram 36.673 unidades, um crescimento de 32,2% em comparação com as vendas nos 12 meses anteriores.

Os empreendimentos lançados em junho responderam por 9.415 unidades, um salto de 218,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado. E no acumulado dos últimos 12 meses até junho, os lançamentos foram de 46.976 unidades, uma expansão de 46,2% frente aos 12 meses anteriores.

Com esses resultados, a capital paulista encerrou o mês de junho de 2019 com a oferta de 23.033 unidades disponíveis para venda, considerando projetos na planta, em obras e recém-construídos. Esse estoque é 13,4% maior do que em maio e 31,2% superior a junho do ano passado.

Parte do crescimento do mercado imobiliário pode ser explicada pela base mais fraca de comparação, pois a economia brasileira foi paralisada pela greve dos caminhoneiros entre maio e junho do ano passado, criando uma forte sensação de insegurança que reduziu o ritmo de negócios imobiliários no período.

Mesmo assim, as vendas e os lançamentos revelados pela pesquisa do Secovi-SP podem ser considerandos bastante fortes. As vendas de 6.319 unidades em junho superaram até o resultado de dezembro (5.204), que costuma ser o mês mais forte do ano para a comercialização de apartamentos. Além disso, as vendas de junho foram 110,8% maiores do que a média de vendas na cidade em 12 meses, que foi 2.997 unidades.

Em nota, Secovi-SP avaliou que o mercado imobiliário vinha apresentando um desempenho melhor do que dos indicadores macroeconômicos neste ano, como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e os índices de confiança de confiança de empresários e consumidores.

Segundo o sindicato patronal, a inflação controlada e o encaminhamento da reforma da Previdência no Congresso agregaram fatores positivos que permitiram às empresas lançar novos projetos com maior segurança, ampliando o volume de vendas.

"Esses aspectos macroeconômicos, aliados à manutenção dos atrativos preços dos imóveis e à demanda reprimida dos últimos anos de crise, colaboraram com os excelentes resultados de lançamentos e vendas", ressaltou o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet.

Projeções

O Secovi-SP revisou suas projeções para os lançamentos de imóveis na capital paulista neste ano. A estimativa é que o mercado encerre 2019 com um patamar entre 37 mil e 41 mil unidades lançadas, o que representa estabilidade ou alta de até 10% em comparação com 2018, quando foram 37 mil.

No começo deste ano, o Secovi-SP previa estabilidade nos resultados, mas decidiu elevar sua projeção após se surpreender com o crescimento robusto visto até aqui.

Os lançamentos no acumulado em 12 meses até junho de 2019, no montante de 46,9 mil unidades, foram o recorde da série histórica do Secovi-SP, iniciada em 2004. O pico anterior havia ocorrido em junho de 2008, com 42,6 mil.

Já as vendas acumuladas em 12 meses até junho de 2019, na ordem de 36,7 mil, foram a terceira maior da série histórica, perdendo apenas para junho de 2010 (38,5 mil) e o período de boom vivido em junho de 2008 (41,4 mil).

"Fomos surpreendidos pelo volume de lançamentos em junho. Isso não está dentro da normalidade", afirmou o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, durante apresentação da pesquisa.

Após o pico de lançamentos e vendas no meio do ano, Petrucci acredita que os negócios voltarão para um patamar mais próximo da média histórica daqui para frente. "O resultado mais pujante de junho foi pontual e não acredito que vai perdurar nos próximos meses", admitiu. "A consistência do começo de ano vem se consolidado. Junho foi fora da curva, mas o mercado mostrou que está aderente", sintetizou.

Na sua avaliação, as quedas sequenciais das taxas de juros do financiamento imobiliário foram essenciais para levar ao mercado muitas pessoas que ainda estavam em dúvida se valia a pena comprar um imóvel para morar ou para investir. Ele acrescentou que vê espaço para novas reduções dos juros do crédito imobiliário, considerando que a Selic está em um ciclo de queda.

Outros fatores, como a estabilidade da inflação e o sinal positivo vindo do encaminhamento da reforma da previdência, também contribuíram para aumentar a confiança tanto de empresários quanto de consumidores de que a economia brasileira entrará em um ciclo mais positivo.

Minha Casa Minha Vida

O economista-chefe do Secovi-SP destacou também a importância do Minha Casa Minha Vida (MCMV) para o mercado imobiliário. Segundo ele, 37% dos lançamentos foram enquadrados no programa no primeiro semestre.

"Isso significa dizer que, mesmo as pessoas preocupadas com o desemprego, estão adquirindo seu primeiro imóvel e acessando a casa própria. Elas voltaram com força ao mercado imobiliário", destacou.

Petrucci disse também esperar que os saques liberados do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não comprometerão os recursos para financiamento do MCMV nas faixas 1,5, 2 e 3 - estes são os segmentos que têm movimentado o mercado. Já a faixa 1 depende de recursos do Tesouro Nacional, que estão escassos devido à crise fiscal.

Economia