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Petróleo e câmbio devem levar preços no atacado a terreno positivo, diz FGV

Francisco Carlos de Assis

São Paulo

29/08/2019 13h41

A queda de 0,67% na média dos preços de agosto no atacado, segundo o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) do período deveu-se à redução generalizada dos itens de maior peso nos grupos de processamento, que levou o Índice de Preços no Atacado (IPA) à queda de 1,14% no mês. A afirmação é do economista André Braz da Fundação Getúlio Vargas (FGV), instituição responsável pelo cálculo e divulgação do IGP-M. "Os bens finais e matérias primas brutas estão todos com taxas negativas", disse.

Essa queda generalizada dentro IPA, de acordo com ele, resulta da contribuição da natureza, que está sendo generosa com uma oferta regular de alimentos, que rebate nos in natura perto dos bens finais - conjunto de preços do IPA mais próximos do consumidor. Além disso, os bens intermediários também deram sua cota de contribuição por conta da boa fase dos combustíveis.

Se bem que, de acordo com Braz, a boa fase dos combustíveis está com seus dias contados. "O levantamento dos combustíveis em agosto ainda mostrou preços em queda. Então, bens intermediários estavam bem servidos por conta de quedas dos combustíveis, mas a Petrobras divulgou ontem aumento próximo de 3,5% da gasolina e o barril de petróleo está subindo por cinta da diminuição da produção", disse.

Tem ainda o dólar, que de acordo com o economista da FGV, também influencia na formação dos preços dos combustíveis.

"Contamos com números negativos de combustíveis em julho e agosto, mas para setembro isso pode mudar. Até porque o mercado já está vendo a duração deste câmbio em outro patamar e reavaliando se isso vai permitir novos cortes de juros", disse Braz.

Para ele, ainda que a discussão esteja no início, é certo que o câmbio vai permanecer no patamar atual e exercer pressão sobre o IPA em setembro. E isso deverá começar pelos combustíveis, que é onde se dá o pass through cambial com maior facilidade.

"Temos a política de reajuste de preços do barril de petróleo e o câmbio, duas variáveis que estão subindo. O câmbio já foi e o petróleo está indo atrás", disse Braz.