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BC da Argentina reduz a 63% o limite inferior da taxa de juros da Leliq

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

30/10/2019 20h44

O Banco Central da República Argentina (BCRA) decidiu nesta quarta-feira modificar o limite inferior da taxa de juros das Letras de Liquidez (Leliq) para 63%, um corte de 5 pontos porcentuais em relação a outubro. A instituição diz que a medida é "consistente com as projeções de mercado de desaceleração da taxa de inflação".

Em comunicado, o BCRA diz que houve um "aumento importante" na demanda por dólares nos dias prévios às eleições presidenciais, vencidas em primeiro turno no último domingo pelo oposicionista Alberto Fernández. Com o movimento, o comando do BC decidiu reforçar o controle cambial, reduzindo a US$ 200 mensais o montante máximo que as pessoas físicas podem comprar sem autorização prévia. "Esta medida aponta para preservar as reservas internacionais e permitir ao novo governo um grau maior de liberdade para o desenho e a implementação de suas políticas econômicas", afirma a nota.

O BCRA diz que um controle cambial mais rígido tende a apoiar a demanda por ativos em pesos. Apesar disso, no atual contexto de "alta incerteza", é especialmente importante garantir um rendimento positivo em termos reais aos poupadores, argumenta. O comunicado informa ainda que, a partir de novembro, a opção de integrar parte do compulsório com Leliq só estará disponível para depósitos a prazo, não mais à vista. "Esta mudança automaticamente eleva a demanda da base monetária em aproximadamente 154 bilhões de pesos, efeito que deve ser contemplado na formulação da meta de base monetária de novembro para não gerar uma contração excessiva", explica. Desse modo, o BCRA estabeleceu para novembro um crescimento de 2,5% na base monetária na comparação com o mês anterior, "ajustada pela mencionada mudança no esquema dos compulsórios".

O comitê de política monetária do BC argentino diz ainda considerar que as decisões adotadas permitirão retomar o processo de desinflação "interrompido nos meses de agosto e setembro". As medidas foram tomadas de forma unânime pelo comitê, liderado pelo presidente do BCRA, Guido Sandleris.