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FGV/Braz: IGP-M deve arrefecer em novembro

Thaís Barcellos

30/10/2019 12h09

O aumento registrado no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em outubro, de 0,68% (ante -0,01% em setembro) foi determinado por poucos itens, como minério de ferro, milho e combustíveis, diz André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pelo índice. "Não existe nessa aceleração efeito generalizado. Há uma concentração e influência importante de combustíveis e commodities."

O minério de ferro passou de queda de 6,86% para alta de 1,58%, o milho em grão avançou de 0,38% para 8,08%, a gasolina no atacado variou de uma taxa negativa de 0,07% para uma positiva de 6,78% e, no varejo, de -0,53% para 1,00%, e o óleo diesel no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou de 3,56% para 7,04%.

Mas Braz destaca que nada sugere que os preços de combustíveis vão continuar subindo, uma vez os preços de petróleo estão comportados e o câmbio teve até alguma apreciação recentemente. Da mesma forma, com a perspectiva de certa estabilidade do dólar em R$ 4,00, o economista diz que é difícil que os preços do minério de ferro tenham alguma aceleração em novembro. "O milho também não tem chance de ter novo aumento de 8%", completa.

"A parte do IPA vai perder influência de movimentos mais fortes em commodities e também em combustíveis. Então o IGP-M deve ter desaceleração em novembro na comparação com outubro, mas continuar em terreno positivo."

No caso do IPC-M de novembro, Braz espera algum avanço da taxa de -0,05% registrada em outubro (de -0,04% em setembro), por causa, principalmente, do acionamento da bandeira vermelha 1 na conta de luz, em substituição à amarela, mais barata, que está vigente em outubro.

Em relação à Alimentação, Braz diz que, apesar da queda menor (-0,80% para -0,36%), o segmento de alimentos in natura segue negativa. As hortaliças e legumes passaram de -13,63% para -6,18%. "O clima até aqui não foi um grande desafio, o que manteve as taxas do IPC baixas por um período mais longo sustentada pelos alimentos in natura, o que é raro de se ver nessa época do ano."

Braz completa, porém, que agora entra uma época mais quente, que é mais desfavorável para essas lavouras, o que pode inverter essa tendência. "Às vezes acontece de forma abrupta, mas ainda não está no radar", diz, acrescentando que esses alimentos in natura ainda devem ficar negativos no IPC e no IPA de novembro.