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Embrapa terá mudança em duas diretorias; um nome deve vir do mercado

Períodos de gestão dos diretores de gestão institucional e de inovação e tecnologia expiraram no ano passado - Divulgação
Períodos de gestão dos diretores de gestão institucional e de inovação e tecnologia expiraram no ano passado Imagem: Divulgação

Leticia Pakulski, Gustavo Porto e Alda do Amaral Rocha (especial para a AE)

São Paulo

04/03/2020 13h03

A Embrapa deve realizar em breve mudanças em duas de suas diretorias executivas. Saem os atuais diretores de gestão institucional, Lucia Gatto, e de inovação e tecnologia, Cleber Oliveira Soares, cujos mandatos — ou períodos de gestão, segundo a Lei das Estatais — expiraram no ano passado.

Entre os nomes mais cotados para assumir, estão o servidor do Ministério da Economia e Planejamento Leonardo Martins e o biólogo e consultor da área de biotecnologia Raphael Pinaud, conforme relataram várias fontes ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Em pelo menos uma das vagas deve ser escolhido um nome do mercado, confirmou o presidente da Embrapa, Celso Moretti, à reportagem.

Segundo Moretti, Martins e Pinaud estão entre os concorrentes, mas ainda não há decisão final sobre quem ocupará as posições. O plano é definir os nomes ainda no mês de março.

"Ainda estamos trabalhando no processo de seleção, de entrevistas, dos novos diretores. Isso estava previsto e já havia sido negociado com o ministério (da Agricultura) e internamente, é uma coisa muito transparente. Temos entrevistado nomes de dentro e de fora da Embrapa", disse Moretti ao Broadcast Agro.

"Tenho a ideia de trazer pelo menos um diretor de fora mas pode ser até que sejam os dois diretores de fora, para realmente oxigenar, trazer uma visão diferente para a empresa, com gente que vem do mundo privado, trazer essa dinâmica que a gente quer imprimir na empresa nesses próximos anos."

Em fevereiro, já foi oficializada uma troca na diretoria. O pesquisador Guy de Capdeville foi nomeado diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento, no lugar de Moretti, que ocupou este cargo e a presidência interina da Embrapa por alguns meses antes de ser efetivado no cargo atual. Moretti assumiu o posto mais alto da Embrapa em 17 de julho de 2019, após a exoneração de Sebastião Barbosa, e foi confirmado no cargo no dia 20 de dezembro. A nomeação de Capdeville foi publicada no Diário Oficial de 13 de fevereiro, após o pesquisador ter sido eleito na reunião de Conselho de Administração da Embrapa de 7 de fevereiro.

O Conselho de Administração da Embrapa também está passando por mudanças. Dois novos nomes passarão a integrá-lo: Pedro de Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), e Daniel Carrara, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

"Os dois colegas foram indicados pelos Ministérios da Agricultura e da Economia, passaram por todo o processo previsto na Lei das Estatais e, brevemente, assim que finalizar todo o processo, devem assumir uma posição no Conselho de Administração", confirmou Moretti.

"São duas pessoas que conhecem muito do agro, com grande experiência, que vêm do setor privado. Acho isso muito positivo, e está na linha do que eu tenho defendido, de cada vez mais estarmos próximos e termos a visão do setor privado para que a Embrapa continue entregando valor para o agro brasileiro."

A nomeação para o conselho ainda não foi publicada no Diário Oficial.

Consultado sobre as mudanças na diretoria e no Conselho de Administração da Embrapa, o ministério da Agricultura informou apenas que os novos nomes do conselho ainda estão em fase de consulta pela Casa Civil e não se pronunciou sobre possíveis mudanças na diretoria.

Indicado para uma das novas vagas no conselho da Embrapa, Pedro de Camargo Neto defende uma "refundação" da estatal. "É um enorme desafio. O fato é que a Embrapa envelheceu, e que nós, produtores, precisamos dela. Estou entre os que acreditam na pesquisa pública. Mais um motivo para querer uma Embrapa forte, produzindo resultados para o setor", disse ao Broadcast Agro.

Para ele, é necessário criar um canal na estatal para que seus 4 mil pesquisadores e analistas participem da fundação dessa "nova Embrapa", "não necessariamente dentro da rigidez de seu organograma. Tem muita gente boa que precisa participar". O dirigente, que há anos é crítico à estatal, disse que a crise na Embrapa "é antiga" e que há silêncio sobre o tema, "para não dizer omissão" entre os quadros da empresa. "Será um trabalho a muitas mãos, ou melhor, muitas cabeças, Conselho, Diretoria, gerentes, Consultoria e também os pesquisadores", acrescentou.

Camargo Neto admite que mudar a Embrapa é uma tarefa que "deve levar algum tempo", mas não há outra saída. "Ou a Embrapa muda ou sucumbe, o que não podemos deixar acontecer", afirmou. Na sua opinião, é necessário desenvolver "melhores critérios" para avaliar resultados de pesquisa pública, assim como ter critérios claros para avaliar o quadro profissional da estatal. Além disso, reforçou, a empresa precisa passar por ajustes, uma vez que o Brasil vive uma crise fiscal. Entre esses ajustes estariam cortes de "despesas supérfluas e benefícios que representam hoje privilégios".

Consultado, Daniel Carrara, do Senar, ainda não atendeu ao pedido de entrevista, mas confirmou, por meio da assessoria da entidade, ter sido escolhido para o conselho da estatal.

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