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Começa a reunião do Copom para decidir a taxa básica de juros

Eduardo Rodrigues

Brasília

17/03/2020 10h35

Começou às 10h05 a reunião de Análise de Mercado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Na tarde desta terça-feira, 17, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e os diretores da instituição ainda participam da reunião de Análise de Conjuntura, também no âmbito do Copom. Na quarta, 18, eles têm mais uma rodada de discussões antes de indicarem o novo patamar da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 4,25% ao ano.

A expectativa do mercado é de que a Selic passe por um novo corte nessa semana. Caso se confirme, será a sexta redução consecutiva no atual ciclo de baixa da taxa básica. Os agentes, no entanto, seguem divididos sobre a magnitude do próximo movimento do BC.

O agravamento da crise global decorrente da pandemia de coronavírus levou diversos bancos centrais do mundo a intensificarem o afrouxamento das condições monetárias em economias centrais desde o último fim de semana. Com isso, boa parte do mercado passou a defender um corte maior nos juros também no Brasil.

Na semana passada, de um total de 50 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 21 esperavam por um corte de 0,25 ponto, para 4,00% ao ano. Outras 20 casas aguardavam um corte de 0,50 ponto, para 3,75% ao ano. E nove delas ainda apostavam na manutenção da taxa básica em 4,25% ao ano.

Em novo levantamento realizado na segunda-feira, 16, das 26 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 16 estimaram corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros, o que levaria a taxa a 3,75% imediatamente. Outras cinco estimaram corte de 1,0 ponto porcentual, enquanto duas projetaram queda de 0,75 pp e outras três, de apenas 0,25 pp - nenhuma casa esperava manutenção da Selic nos atuais 4,25%.

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) cortou os juros em 1 p.p. para a faixa de 0% a 0,25% em nova reunião extraordinária no domingo, 15. No mesmo dia, o BC da Nova Zelândia reduziu os juros básicos em 0,75 p.p. de 1,0% para 0,25%.

Nesta segunda-feira, ainda durante a madrugada no Brasil, foi a vez do BC da Coreia do Sul reduzir sua taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, para a mínima histórica de 0,75%. Ao longo do dia, o Banco Central do Chile também realizou um corte extraordinário de 0,75 p.p., para 1,00%.

O BC do Egito cortou os juros em 3 pontos porcentuais, também em decisão extra ontem. Pouco antes do fechamento deste texto, o BC da Turquia anunciou o corte de juros de 10,75% a 9,75%, em reunião de emergência.

No início de fevereiro, o Copom do BC cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 4,50% para 4,25% ao ano. No comunicado sobre a decisão, o BC havia deixado claro que não pretendia promover novo corte no encontro marcado para agora. "Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária", registrou o BC no comunicado da decisão.

No entanto, com as reações do mercado e de governos diante da propagação do coronavírus e seus possíveis impactos para a economia global, o Banco Central divulgou nota no dia 3 de março enfatizando que "monitora atentamente os impactos do surto de coronavírus nas condições financeiras e na economia brasileira".

Ainda de acordo com a autoridade monetária, "à luz dos eventos recentes, o impacto sobre a economia brasileira proveniente da desaceleração global tende a dominar uma eventual deterioração nos preços de ativos financeiros".

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