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Ipea revisa projeção para IPCA de 2020 para 2,9% por causa de coronavírus

Vinicius Neder

Rio

30/03/2020 16h32

A equipe de macroeconomia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza as metas de inflação do Banco Central (BC), para uma alta de 2,9% em 2020, ante a estimativa anterior de um avanço de 3,3%.

A revisão das projeções está numa seção da Carta de Conjuntura do Ipea, publicada nesta segunda-feira, 30, no site da instituição, na qual os pesquisadores também anunciaram novas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, em função da incorporação aos cenários econômicos da pandemia do novo coronavírus.

Para os pesquisadores do Ipea, diante dos impactos negativos da pandemia sobre a atividade econômica, o cenário de inflação no País passou a ser marcado por "queda nos preços das principais commodities, especialmente do petróleo; forte desvalorização cambial e retração da demanda interna".

No caso das commodities, o "comportamento mais benevolente do petróleo contribuirá para compensar a pressão adicional exercida sobre os preços dos combustíveis de uma taxa de câmbio médio estimada em R$ 4,50 para o ano, possibilitando um desempenho ainda mais favorável dos preços administrados, cuja previsão de alta recuou de 3,9% para 3,4%".

O pesquisadores do Ipea também reduziram a projeção para os preços dos alimentos em 2020 no IPCA (para 3,8% ante a estimativa anterior de 4,2%), mas os principais impactos relacionados à covid-19 estão nos serviços e bens precificados livremente.

"Se em um primeiro momento a retração na demanda destes setores ocorrerá pela adoção da quarentena obrigatória, posteriormente, as quedas do nível de atividade e, consequentemente, da massa salarial se tornarão os principais responsáveis por este movimento de recuo na procura de bens e serviços. Dessa forma, mesmo em um ambiente de forte depreciação cambial e taxa de juros em declínio, a projeção de inflação dos bens livres, exceto alimentos, recuou de 1,7% para 1,5%. De modo similar, a alta estimada para os serviços desacelerou 0,5 p.p., passando de 3,3% para 2,8%", diz um trecho da seção da Carta de Conjuntura.