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Fed: não sabemos como vírus progredirá, mas retomada econômica deve ser lenta

Gabriel Bueno da Costa

15/04/2020 16h25

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou nesta quarta-feira, 15, que uma questão importante neste momento é a incerteza sobre como o coronavírus progredirá. Nesse contexto, ele previu que a retomada da economia deve ser lenta, quase setor por setor. Kashkari exemplificou com uma sala de cinema, questionando se seria seguro reabri-las agora, com a doença ainda não controlada. Como uma vacina ou medicamentos que resolvam a situação ainda parecem relativamente distantes, segundo especialistas, é preciso elaborar uma estratégia para lidar com o quadro atual, argumentou o dirigente, durante entrevista à rádio americana Minnesota Public Radio (MPR).

Segundo ele, de qualquer modo é positivo que o Congresso americano esteja discutindo mais ajuda à economia do que a já aprovada. O dirigente lembrou de seu trabalho na crise financeira de 2008-2009 e avaliou que, na ocasião, as autoridades foram bastante cuidadosas para evitar dar dinheiro a quem não merecesse, mas a demora resultante acabou por acentuar a crise. "Nessa crise, devemos ser generosos e gastar o máximo possível e ela será menor", afirmou ele, atualmente com direito a voto nas decisões de política monetária.

Kashkari comentou sobre os riscos no panorama, dizendo por exemplo que, se houver uma piora prolongada da economia, milhares de pequenas empresas podem quebrar. O Congresso, porém, tem estado atendo a essa situação e apoiado empréstimos, que podem ser perdoados se as pequenas empresas mantiverem seus funcionários, lembrou. "Nunca estivemos numa situação como essa, por isso tanta incerteza", disse. "Nós não sabemos quanto tempo isso durará, sei que é frustrante", admitiu, sem citar prazos para a normalização do quadro.

Ele afirmou ainda que o Fed pode agir para estimular os bancos a emprestar mais dinheiro, mas disse que para isso é preciso sempre o aval do Legislativo. Sobre a trajetória dos preços, Kashkari afirmou que não se preocupa agora com o risco de inflação, complementando que a deflação é um risco maior, no curto prazo.