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Justiça libera Wesley e Joesley Batista para trabalharem em empresas da J&F

Andre Borges/Folhapress
Imagem: Andre Borges/Folhapress

Daniele Madureira, especial para O Estado

São Paulo

26/05/2020 18h38Atualizada em 27/05/2020 08h52

Depois de três anos afastados por determinação judicial, os irmãos Wesley e Joesley Batista já podem voltar a trabalhar nas empresas do grupo J&F —entre elas, o frigorífico JBS, o banco Original e a Eldorado Celulose. A 6ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) liberou hoje por unanimidade os empresários para funções executivas nas empresas do grupo.

"Seria de todo conveniente que essas empresas tivessem a sua participação", disse o ministro relator Rogerio Schietti.

Os irmãos estavam proibidos de trabalhar nas empresas desde 2017, por conta de uma medida cautelar. "A possibilidade do retorno vem ao encontro do cumprimento do acordo de valor astronômico, que foi mencionado, e que portanto recomenda que as empresas sejam plenamente administradas", afirmou o ministro.

Em março de 2017, Joesley foi alvo de um escândalo envolvendo o então presidente Michel Temer (PMDB-SP), após gravar uma conversa privada com o sucessor de Dilma Rousseff (PT-MG) no Palácio do Jaburu. Divulgado dois meses depois, o áudio de 39 minutos mudou articulações do governo federal e tornou Temer o primeiro presidente investigado durante o exercício do mandato.

Para Schietti, "não se justifica manter a proibição de participar direta, ou por interposta pessoa, de operações no mercado financeiro, e de ocupar cargos ou funções nas pessoas jurídicas".

Segundo o ministro, a decisão pela liberação dos irmãos está embasada em três fatos principais: cumprimento de regras de compliance, a colaboração e o acordo de leniência no valor de R$ 10,3 bilhões, "que convenhamos, não é uma meta fácil de atingir e exige, portanto, um empenho máximo das empresas para produzir esse capital", afirmou.