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Projeção do Focus para o PIB de 2020 passa de -6,48% para -6,51%

Fabrício de Castro

Brasília

15/06/2020 09h19

Os economistas do mercado financeiro cortaram novamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 15, a expectativa para a economia este ano passou de retração 6,48% para queda de 6,51%. Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 5,12%.

Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), de alta de 3,50%. Quatro semanas atrás, estava em 3,20%.

No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB recuou 1,4% no primeiro trimestre de 2020, ante o quarto trimestre de 2019. Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, a queda foi de 0,1%.

No Focus agora divulgado, a projeção para a produção industrial de 2020 foi de baixa de 5,35% para queda de 5,44%. Há um mês, estava em baixa de 3,68%. No caso de 2021, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 3,00% para 3,50%, ante 2,50% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2020 passou de 64,63% para 65,61%. Há um mês, estava em 64,20%. Para 2021, a expectativa foi de 65,90% para 66,12%, ante 65,20% de um mês atrás.

Déficit primário

O Relatório de Mercado Focus trouxe alteração na projeção para o resultado primário do governo em 2020. A relação entre o déficit primário e o PIB este ano foi de 8,00% para 9,96%. No caso de 2021, foi de 2,15% para 2,23%. Há um mês, os porcentuais estavam em 7,80% e 2,01%, respectivamente.

Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2020 foi de 12,30% para 14,30%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2021, seguiu em 6,20%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 12,00% e 6,00%, nesta ordem.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

Os avanços nas projeções refletem a expectativa de que, com o aumento das despesas do governo durante a pandemia do novo coronavírus, o País terá um cenário fiscal ainda mais difícil.

Balança comercial

Os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para a balança comercial em 2020 na pesquisa Focus, de superávit comercial de US$ 47,75 bilhões para US$ 52,50 bilhões. Um mês atrás, a previsão era de US$ 43,35 bilhões. Para 2021, a estimativa de superávit foi de US$ 47,35 bilhões para US$ 55,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 42,80 bilhões.

No caso da conta corrente, a previsão contida no Focus para 2020 passou de déficit de US$ 20,50 bilhões para US$ 13,95 bilhões, ante US$ 34,10 bilhões de um mês antes. Para 2021, a projeção de rombo foi de US$ 32,75 bilhões para US$ 20,88 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 40,00 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o resultado deficitário nestes anos. A mediana das previsões para o IDP em 2020 seguiu em US$ 60,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 65,00 bilhões. Para 2021, a expectativa seguiu em US$ 75,00 bilhões, ante US$ 76,00 bilhões de um mês antes.

Economia