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Espaço remanescente para política monetária deve ser pequeno, repete BC

Fabrício de Castro

Brasília

08/07/2020 13h01

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, repetiu nesta quarta-feira, 8, uma série de mensagens a respeito da política monetária no Brasil, durante apresentação feita em reunião virtual com embaixadores da União Europeia. Entre as principais, está a de que "o espaço remanescente para a utilização de política monetária é incerto e deve ser pequeno".

No mês passado, o BC cortou a Selic (a taxa básica de juros) em 0,75 ponto porcentual, de 3,00% para 2,25% ao ano. Na ocasião, a instituição ponderou que o espaço para mais cortes seria "incerto" e "pequeno". Esta é a mensagem reforçada por Campos Neto na apresentação desta quarta.

O presidente do BC registrou ainda, em sua apresentação, que "neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado". Além disso, "para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário será residual".

Em outra ideia contida em documentos recentes do BC, Campos Neto afirmou nesta quarta, por meio de sua apresentação, que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reconhece que, "em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos".

Fluxo de capitais

O presidente do Banco Central avaliou ainda que o fluxo de capitais tende a se acomodar e a melhorar as contas externas brasileiras.

Em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, Campos Neto vem afirmando que, em um primeiro momento, o Brasil passou, assim como outros países emergentes, por um processo de forte saída de capitais. O movimento foi puxado por investidores em busca de ativos mais seguros no exterior.

Em um período mais recente, porém, o movimento de fuga de dólares arrefeceu. Ao mesmo tempo, o País tem registrado entrada maior de recursos pela conta comercial, em função das exportações firmes de produtos alimentícios e da redução das importações em geral.

Isso é confirmado pelas projeções mais recentes do próprio BC para o balanço de pagamentos. A estimativa para o déficit em conta corrente em 2020 está em US$ 13,9 bilhões. No ano passado, o déficit havia sido de US$ 49,5 bilhões.

A apresentação completa de Campos Neto está disponível no seguinte endereço: https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/discursos.