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Situação fiscal do País é crítica, mas há otimismo com retomada, diz consultoria

Aline Bronzati e Thaís Barcellos

São Paulo

27/08/2020 18h03

A situação fiscal do Brasil é crítica, mas a boa notícia é que as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano melhoraram em meio ao otimismo em torno de uma retomada mais rápida da economia. A afirmação é do analista econômico da consultoria ISI Emerging Markets Group, Adriano Morais.

Ao lado da Argentina, o Brasil apresenta, conforme ele, a pior situação fiscal da América Latina. Na outra ponta, listou, estão Peru, México e Chile, com uma posição "mais confortável".

"A situação das contas públicas do Brasil é crítica, mas economistas estão esperançosos de uma recuperação mais rápida por conta dos programas de transferência de renda", avaliou ele, durante webinar, promovido pela ISI Emerging Markets Group, citando dados favoráveis do varejo em junho em meio à flexibilização das medidas de isolamento social.

É diante deste quadro que o governo Bolsonaro estuda a revisão do programa de transferência de renda implementado em meio à covid-19 no País, conforme o especialista. Além de bem-sucedido, o auxílio emergencial, na sua visão, ajudou a minimizar o impacto da pandemia do novo coronavírus no Brasil, que ao lado dos Estados Unidos e Índia têm metade dos casos da covid-19 do mundo.

O analista da ISI Emerging Markets chamou atenção para os estudos quanto à manutenção do auxílio emergencial em menor valor. Batizado de Renda Brasil, o novo programa de transferência de renda deve ficar entre R$ 200,00 e R$ 300,00 em um momento que, de acordo com ele, o País atravessa uma crítica situação fiscal, que remete aos anos de 2015 e 2016, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Por outro lado, Morais lembrou que o governo tenta estabilizar a dívida pública, que deve crescer nos próximos anos em meio ao gasto extraordinário feito durante a crise sanitária. Dentre as ações, ele citou a reforma tributária, a administrativa e privatizações, principalmente, nos setores de energia, saneamento e infraestrutura.

China

Na China, a analista April Li afirmou que as medidas mais restritivas em relação à pandemia e também o suporte financeiro do governo incentivaram uma recuperação rápida da crise da covid-19. A economia, destacou, já voltou a crescer no segundo trimestre do ano na comparação com o mesmo período do ano passado (3,2%).

Ela disse que o consumo ainda não voltou ao nível pré-pandemia, mas que o investimento está indo bem e que desemprego tem caído. Além disso, disse que o fato de ter controlado a doença primeiro criou oportunidades para a China, principalmente na exportação de produtos farmacêuticos e eletrônicos.

No âmbito fiscal, April Li destacou que o déficit fiscal e a dívida pública vão crescer, mas ainda devem ficar aquém dos países emergentes, inclusive de Brasil e Índia, e de muitos países desenvolvidos. Segundo a última estimativa do FMI, o déficit chinês deve alcançar 12,1% do PIB este ano, de -6,3%, e a dívida deve subir de 52% para 64% do PIB em 2020, alcançando 70,7% em 2021. Ela destacou que os déficits públicos são uma questão a ser tratada no longo prazo pelo país, mas que os empréstimos e os títulos emitidos pelo governo central foram muito efetivos no curto prazo no contexto da pandemia.

Assim como na China, na Índia e no Brasil a proporção da dívida pública frente ao PIB também crescerá em 2020 como reflexo da pandemia. O caso brasileiro, novamente, é o mais crítico. No Brasil, a relação dívida/PIB deve saltar de 89,5% no ano passado para 102,3% em 2020. A depender dos esforços do governo Bolsonaro para controlar a situação fiscal, em 2021, o país deve diminuir a proporção da dívida frente ao PIB, mas ainda ficar acima dos 100%, segundo o FMI. Enquanto isso, China e Índia ainda devem continuar apresentando elevação.

April Li também ressaltou que a China deixa de lição para o mundo que é preciso controlar a disseminação da doença e também tomar algumas medidas maiores de restrições de liberdade para que a economia possa se recuperar mais rapidamente. Segundo ela, não há expectativa de vacina em um futuro próximo.

Índia

A analista Rohini Sanyal, responsável pela Índia, destacou que o país já passava por uma desaceleração econômica antes do início da pandemia e, depois, implementou um lockdown bastante restrito, que forçou o governo a gastar mais, apesar das preocupações fiscais. No momento, com o fim das medidas de isolamento social, porém, o número de casos de covid-19 cresce de forma substancial no País, o terceiro em número de infectados no mundo, atrás de EUA e Brasil. Nesse contexto, a analista citou a alta densidade populacional do país e de suas grandes cidades.

No lado econômico, ela disse que a principal preocupação é com a perda de empregos, por isso o governo tem focado em programas de desenvolvimento educacional e de habilidades. Desde o fim da quarentena total, a analista observou que houve melhora das vendas de automóveis e na produção industrial. Segundo ela, o foco do governo indiano é se posicionar como um país industrial global.