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Funchal: Entre 2026 e 2027 ainda teremos déficit primário

Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli

Brasília

31/08/2020 19h42

O secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, projetou nesta segunda-feira, 31, novos rombos primários do governo central pelo menos pelos próximos sete anos. "Tomando por hipótese as projeções do Focus sobre juros e crescimento, e cumprindo com teto ate 2026, a gente imagina que entre 2026 e 2027 a gente ainda tenha déficit. Ou seja, que vire para superávit no final do próximo mandato ou no início do outro, 2026 ou 2027.Por isso precisamos andar nessa agenda de consolidação fiscal", afirmou.", afirmou.

Após um rombo de quase R$ 800 bilhões neste ano devido aos gastos de combate à covid-19, a equipe econômica encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta orçamentária que prevê mais uma sucessão de déficits entre 2021 e 2023 que, somados, representarão um buraco de R$ 572,9 bilhões.

No ano que vem, o governo prevê déficit de R$ 233,6 bilhões nas contas do governo central, que reúne Tesouro Nacional, INSS e Banco Central. Em 2022, a projeção é de resultado negativo em R$ 185,5 bilhões. Já em 2023, o rombo será de R$ 153,8 bilhões.

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, voltou a destacar a importância da regra do teto de gastos. "O teto gera uma disciplina fiscal extremamente importante. Mesmo após a pandemia em 2020, voltaremos a ter um padrão de despesas em 2021 semelhante a 2019, graças a essa âncora fiscal", completou.

Segundo Waldery, o encurtamento do prazo da dívida pública está sob controle. Ele lembrou a transferência de R$ 325 bilhões do resultado cambial do Banco Central ao Tesouro, autorizada na semana passada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

"Temos uma severa restrição de liquidez nesse momento e isso nos dá condições de seguir com essa gestão macroeconômica sob controle, continuando a agenda de reformas. O nível de resiliência do País é estável, desde que façamos dever de casa", avaliou. "Mesmo a melhoria do gasto social deverá acompanhar a consolidação fiscal. O social não vive sem o fiscal", enfatizou.