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Para Fitch, pode haver aumento de gastos no Brasil sem gerar inflação

Logo da agência de classificação de riscos Fitch no escritório da empresa em Londres - Reinhard Krause
Logo da agência de classificação de riscos Fitch no escritório da empresa em Londres Imagem: Reinhard Krause

Eduardo Gayer

São Paulo

15/09/2020 13h05

O diretor-gerente da Fitch Ratings, James McCormack, entende que pode haver aumento de gastos no Brasil sem gerar inflação. "Há espaço para mais estímulos econômicos no País, sem consequências negativas, considerando o tamanho do hiato do produto", afirmou nesta terça-feira, 15, durante webinar sobre mercados emergentes promovido pela Bloomberg.

McCormack lembra que o Brasil não registrava níveis robustos de atividade mesmo antes da emergência do novo coronavírus. "Vamos ser honestos, o Brasil não necessariamente entrou nesta crise em uma posição de força. Olhe o crescimento de lá nos últimos quatro ou cinco anos. É desanimador", acrescentou.

Em 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresceu 1,1%.

Em maio, a Fitch reafirmou o rating do Brasil em BB - mas cortou a perspectiva de estável para negativa. "A revisão reflete a deterioração das perspectivas econômicas e fiscais do Brasil, e os riscos negativos para ambas devido às renovadas incertezas políticas", afirmou à época a agência de classificação de risco.

América Latina

A Fitch afirmou que os esforços dos países da América Latina para reduzir seus déficits fiscais e a dívida no médio prazo podem enfrentar "desafios particulares", diante da rigidez nos gastos e da disposição política ou das capacidades "limitadas" para elevar impostos. Em relatório, a agência diz que a retomada do crescimento econômico, preços um pouco mais altos das commodities e a redução do tamanho dos pacotes de apoio fiscal devem reduzir déficits em 2021, "mas um ajuste fiscal estrutural que iria apoiar a redução da dívida poderia ser desigual pela região".

De acordo com a Fitch, reformas estruturais para ampliar a base de receitas e reduzir a dependência das commodities têm sido raras na região nos últimos anos.

Em vez disso, a maioria dos países confiou em medidas administrativas, com "ganhos desiguais" antes da pandemia.

Pressões sociais e políticas têm ameaçado os esforços para conter o crescimento dos gastos e continuarão a representar desafios, embora esses esforços tenham sido feitos em algumas nações - a Fitch cita como exemplo disso o Brasil e sua reforma previdenciária.

O quadro geral "ajuda a explicar", segundo ela, o "ponto de partida inicial fiscal fraco dos soberanos latino-americanos no início do choque do novo coronavírus".

A Fitch acredita, assim, que há desafios na consolidação fiscal para essas nações.