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Justiça dos EUA libera empréstimo de US$ 2,4 bi da Latam

Cristian Favaro

19/09/2020 07h06

Após disputas com minoritários e um revés da Justiça dos Estados Unidos, a Latam informou ontem que recebeu aprovação do Tribunal do Distrito Sul de Nova York para a proposta de financiamento modificada, dentro do processo de recuperação judicial (Chapter 11). "A decisão do juiz James L. Garrity Jr. permite que o grupo tenha acesso aos US$ 2,45 bilhões necessários para enfrentar os impactos da covid-19", comunicou a companhia aérea, em nota.

Acionistas minoritários da empresa haviam questionado na Justiça a proposta de financiamento inicial, que abria espaço para a conversão do valor emprestado em ações com desconto de 20%, favorecendo os controladores em detrimento dos minoritários. A nova proposta, apresentada na quinta-feira, retirou essa cláusula.

A estimativa do mercado era que o sinal verde da Justiça saísse rapidamente, uma vez que todas as barreiras haviam sido retiradas pela companhia na proposta nova. O prazo para o veredicto era de 14 dias, mas era esperado que o juiz se antecipasse diante da situação frágil do setor aéreo na pandemia.

O financiamento é composto por duas parcelas. Uma de até US$ 1,15 bilhão, sendo US$ 750 milhões fornecidos pela Qatar Airways e pelos grupos chilenos Cueto e Eblen, além de US$ 250 milhões pela empresa americana Knighthead Capital. Acionistas minoritários da Latam poderão participar com até US$ 150 milhões.

A outra parcela, de até US$ 1,3 bilhão, será liderado pela Oaktree Capital Management (companhia americana de investimento de risco), que contribuirá com US$ 1,125 bilhão, enquanto a Knighthead Capital participará com US$ 175 milhões.

Em nota, o presidente da Latam, Roberto Alvo, comemorou o resultado. "A aprovação do DIP (modelo do financiamento) é um passo muito significativo para a sustentabilidade do grupo e agradecemos o amplo interesse e confiança no que a Latam construiu e em nosso projeto de longo prazo. Agora começamos uma nova etapa, de apresentar o nosso plano de reorganização", disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.