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Vital: Tesouro tem avaliado mercado secundário com bastante atenção

Lorenna Rodrigues

Brasília

28/09/2020 16h05

O Tesouro Nacional tem acompanhado com "bastante atenção" o mercado secundário de títulos remunerados pela Selic (LFTs) e tem instrumentos para influenciá-lo, afirmou o coordenador-geral de operações da dívida, Luís Vital. Ele acrescentou que, na semana passada, o Tesouro já reduziu a oferta desses papéis porque o mercado era "vendedor".

"Acreditamos que mercado está passando por reprecificação e vai se estabilizar. Mas o Tesouro tem instrumentos, como reduzir convocações e diminuir colocações em leilões para não ser um fator adicional de pressão", afirmou.

O coordenador disse que o movimento de aumento no prêmio exigido no mercado secundário não tem relação com a questão fiscal do país, mas sim com essa reprecificação dos ativos. "O Tesouro tem avaliado o mercado secundário com bastante atenção. O objetivo é garantir funcionalidade do mercado secundário, que é fundamental para nossa estratégia de rolagem da dívida", completou.

1º quadrimestre de 2021

Vital disse que o colchão de liquidez do Tesouro Nacional segue superior ao nível prudencial para a reserva, que corresponde a três meses de vencimentos de títulos públicos. "A estratégia é manter colchão de liquidez sempre acima de três meses", afirmou.

Com o órgão emitindo um volume grande de papéis curtos, com vencimento no início de 2021, Vital disse que o Plano Anual de Financiamento (PAF) permite ao Tesouro emitir mais títulos ainda neste ano, para ter caixa e fazer frente aos vencimentos do primeiro quadrimestre de 2021.

Investidores estrangeiros

O coordenador-geral de operações da Dívida Pública Federal disse que o aumento na participação de investidores estrangeiros em agosto foi pontual e reflete o aumento de taxas e o movimento do câmbio. No mês passado, a fatia dos não-residentes passou para 9,4%, ante 9,04% do mês anterior. "A entrada de investidores estrangeiros para tempo mais longo depende da consolidação fiscal", afirmou.

Segundo Vital, as taxas pagas pelo Tesouro Nacional no leilão de agosto foram as mais altas da história para o mês, mas o custo continua nos menores níveis. O volume emitido também foi recorde histórico no mês passado.

Ele acrescentou que a demanda por papéis NTN-F (prefixados longos) é baixa neste momento e que, à medida que o fluxo for mais significativo, o Tesouro passará a emitir mais. "os investidores seguem com cautela em relação às perspectivas fiscais", completou.