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Funchal: nosso papel é alertar as consequências de cada proposta do Renda Cidadã

Idiana Tomazelli e Eduardo Rodrigues

Brasília

29/09/2020 17h26

Questionado sobre a relutância do presidente Jair Bolsonaro em autorizar cortes de gastos que possam tem consequências políticas ruins para o governo, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, afirmou que a função do órgão é alertar as consequências de cada proposta para o financiamento do Renda Cidadã.

"Temos que continuar debatendo alternativas, vendo qual é o escopo de cada proposta e suas consequências. São feitas as sugestões e há a sensibilidade política se isso é viável ou não. Os políticos têm a sensibilidade do que é o desejo da sociedade. É razoável que se diga o que a sociedade aceita ou não. O nosso dever é mostrar os benefícios e os custos de cada proposta", respondeu.

Funchal reforçou o comprometimento da equipe econômica com o cumprimento da regra constitucional. "Como o Tesouro tem falado nos últimos anos, há um comprometimento com o teto de gastos que vem se intensificando ao longo do ano em meio às discussões sobre o aumento de gastos. É fundamental o comprometimento com o teto de gastos. O que observamos é também esse comprometimento por parte dos parlamentares", respondeu.

Após reunião com o presidente Jair Bolsonaro, líderes no Congresso e o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi proposto ontem o financiamento do Renda Cidadã - novo programa social do governo - por meio do adiamento de pagamento de precatórios (valores devidos pela União após sentença definitiva na Justiça) e do uso de parte do Fundeb, o principal financiador da educação básica.

Funchal citou a importância dos gatilhos para o cumprimento do teto e destacou a necessidade fontes de financiamentos para o novo programa social do governo.

"Esse debate sobre fontes está sendo debatido há algumas semanas. Para termos qualquer programa novo, é preciso olhar a qualidade do gasto e reduzir gastos. Agora, há todo um processo de discussão política que traz algumas sugestões. É legítimo trazer algumas alternativas", considerou.

Para o secretário do Tesouro, ainda que a alternativas propostas não contradigam o teto de gastos, o mercado e agentes econômicos deram um alerta por meio do aumento da percepção de risco.

"Isso é um sinal. E vejo como a evolução da maturidade do debate que a proposta e os sinais do mercado sejam levados em consideração. Foi uma solução política e cabe a nós mostrarmos o que significa isso. Ontem mesmo a curva de juros subiu por conta disso e a bolsa caiu", afirmou. "Precisamos olhar mensagens, debate e evoluir. Os próximos dias serão importantes", completou.