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Moody's mantém previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2021

Thaís Barcellos e Altamiro Silva Junior

São Paulo

14/10/2020 13h35

A vice-presidente e analista sênior da Moody's Samar Maziad, responsável pelo rating soberano do Brasil, afirmou que a agência de classificação de risco continua a esperar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4% para 2021. "Brasil já está no caminho da recuperação no terceiro trimestre e esperamos que continue." A declaração foi dada nesta quarta-feira durante o evento Inside Latam Brasil, da Moodys.

Mas a analista lembrou que o crescimento do Brasil nos últimos anos foi decepcionante e que seria necessário ver uma expansão mais sustentável nos próximos anos, o que depende do avanço de reformas. "O crescimento potencial do Brasil hoje é estimado em 2%. Para PIB potencial maior, é necessário maior avanço de reformas."

Samar também disse que para o crescimento ser maior também é necessária a confiança na manutenção do compromisso fiscal do País.

PEC emergencial

Samar Maziad disse ainda, em entrevista à imprensa, que, do ponto de vista fiscal, é preciso respeitar o teto e, neste sentido, a aprovação da chamada PEC Emergencial, que tem mecanismos para conter gastos públicos, é a medida mais importante de curto prazo.

Do ponto de vista estrutural, Samar comentou que a reforma tributária é importante, pois resolve distorções que o Brasil tem em sua estrutura de impostos. "A reforma administrativa também é importante estruturalmente para questão do gasto", disse ela.

"O comprometimento com disciplina fiscal é positivo para crescimento do Brasil", disse ela, ressaltando que o PIB potencial do Brasil está na ordem de 2%. Para um nível de expansão sustentada mais alto, é preciso avanço com as reformas, ressaltou a analista da Moody's aos jornalistas e, mais cedo, em seminário virtual da agência de risco.

Renda Cidadã e teto

A vice-presidente e analista sênior do rating soberano do Brasil da Moody's disse, também, que o financiamento dentro do teto de gastos do novo programa social do governo, o Renda Cidadã, vai depender da proposta do Planalto. Se for acomodado dentro do teto, será positivo para o crescimento do País.

Sobre a manutenção dos estímulos extraordinários, como o auxílio emergencial, pela frente, a analista da Moody's ressaltou que dentro do teto de gastos há espaço limitado para aumentar despesas. Assim, a ideia do ministro Paulo Guedes de unificar programas sociais pode requerer medidas compensatórias para que se adaptem ao teto, afirmou.

A sinalização de compromisso com o teto e de disciplina fiscal pelo governo, disse Samar, será um sinal positivo aos agentes sobre a consolidação das contas públicas brasileiras e no final vai apoiar o crescimento. A Moody's espera que o ajuste fiscal seja retomado em 2021.

Samar ressaltou que as medidas emergenciais adotadas pelo Brasil para lidar com a pandemia foram substanciais, especialmente comparadas a outros emergentes. "Elas contribuíram para a recuperação da atividade", disse ela, citando principalmente estímulos fiscais.

Além de manter a estabilidade macroeconômica e progredir com reformas, Samar falou ainda da necessidade de o País avançar com as privatizações e melhorar o ambiente de negócios, para estimular investimentos. Nesse sentido, a reforma tributária é relevante, pois simplifica a estrutura de impostos do Brasil, o que ajuda a criar um clima positivo para investimentos.