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Não há plano de prorrogação de medidas emergenciais, diz presidente do BNDES

Gustavo Montezano, presidente do BNDES, afirmou que não há planos de estender as medidas emergenciais criadas no contexto da pandemia de coronavírus para além de 31 de dezembro - ADRIANO MACHADO/Reuters
Gustavo Montezano, presidente do BNDES, afirmou que não há planos de estender as medidas emergenciais criadas no contexto da pandemia de coronavírus para além de 31 de dezembro Imagem: ADRIANO MACHADO/Reuters

Thaís Barcellos

Em São Paulo

06/11/2020 12h58

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano, afirmou que não há planos de estender as medidas emergenciais criadas no contexto da pandemia de coronavírus para além de 31 de dezembro, uma vez que a retomada da economia tem se mostrado bastante forte.

Montezano ponderou que é preciso ter humildade e observar a evolução do quadro em meio à pandemia, mas que a expectativa é de um "Natal vibrante", considerando a retomada econômica que já está rodando acima do nível pré-crise e o sistema financeiro sólido do País, segundo o presidente do banco.

As declarações foram dadas hoje durante participação no evento Itaú Macrovision 2020.

Montezano destacou as medidas promovidas ou apoiadas pelo BNDES com o propósito de dar suporte a estados e municípios, grandes empresas e, principalmente, pequenas e médias empresas, como o FGI dentro do PEAC (Programa Emergencial de Acesso ao Crédito), que já desembolsou R$ 75 bilhões, segundo o presidente do banco, linhas de capital de giro, crédito âncora e FDIC. "Já vemos hoje crédito chegando na ponta. Esse crédito já virou um crédito para retomada, estamos vendo uma retomada muito forte."

Segundo Montezano, o foco do BNDES a partir de agora é apoiar o setor privado em infraestrutura, ajudando a estruturar projetos, acesso a crédito a pequenas e médias empresas e em sustentabilidade. "Vamos atuar de forma mais colaborativa com o setor privado. Nova forma do BNDES vai equilibrar lucro financeiro e lucro socioambiental."

O presidente do BNDES repetiu ainda que o Brasil tem uma grande oportunidade para liderar o mercado de finanças sustentáveis, considerando que teve o mérito de manter seu patrimônio ambiental e criar um mercado de capitais dinâmico, além de ter uma democracia sólida.

Montezano afirmou que o BNDES irá atuar como articulador entre governo e setor privado e os principais pilares são trabalhar na construção de produtos para o capital poder fluir melhor de investidores interessados para as instituições e também na distribuição do conhecimento sobre o mercado de finanças sustentáveis.

Carteira de ações

O presidente do BNDES destacou que a estratégia de desinvestimento do banco, iniciada em 2019, já soma R$ 45 bilhões, mas que ainda falta de R$ 60 a R$ 65 bilhões em ações para se desfazer até o fim de 2022. Montezano disse que a estratégia teve uma pausa no começo da pandemia, mas já foi retomada, com uma operação referente à Vale e outra da Suzano, em que o BNDES encerrou a participação na empresa de celulose.

"Não temos pressa. Podemos fazer as mais diversas operações de acordo com a demanda do mercado. Vemos mercado de capitais robusto. A volatilidade em ofertas que é natural neste momento, mas a estrutura é muito boa", disse, no evento Itaú MacroVision 2020.

Montezano ainda comentou a emissão da primeira Letra Financeira Verde, em setembro, que captou R$ 1 bilhão, mas teve demanda de R$ 8 bilhões.

Segundo o presidente do banco, o passivo com FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) é de longo prazo, mas que vê o mercado de capitais como um instrumento para fechar a matriz de curto prazo, até 5 anos. "Pretendemos explorar novos instrumentos de capitais em seguros e garantias, que deve sair no ano que vem."