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Agronegócio

Ao contrário de Bolsonaro, agronegócio quer construir pontes com Joe Biden

Colheita de cana-de-açúcar em Sertãozinho (SP) - Paulo Whitaker
Colheita de cana-de-açúcar em Sertãozinho (SP) Imagem: Paulo Whitaker

Douglas Gavras

Brasília

13/11/2020 07h20

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode até não ter reconhecido o democrata Joe Biden como o governante eleito dos Estados Unidos e ainda chamar o futuro mandatário de "candidato a chefe de Estado", mas os representantes do agronegócio não pensam assim.

Eles avaliam que o país precisa reverter a imagem negativa de desmatamentos em alta e baixa proteção ambiental.

"Estamos no limiar de uma mudança de comando na maior economia do mundo, os Estados Unidos, com a eleição de Biden. O Brasil é eficiente e competitivo e não tem o que temer na nova gestão, mas um país não é amigo de pessoas, tem negócios com outros países", afirma o ex-presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira) e atual da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Cesario Ramalho.

Ele lembra que o agro é responsável por quase um quarto do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e que os produtos nacionais são competitivos, também quando comparados aos dos EUA. "Biden deve colocar os Estados Unidos novamente no Acordo de Paris (de combate às mudanças climáticas), o que é importante para termos um debate equilibrado."

Os comentários foram feitos no Enaex (Encontro Nacional do Comércio Exterior), que começou ontem e termina hoje. No evento, da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), os líderes deixaram refletir o mal-estar causado pela fala de Bolsonaro na terça-feira (10), em que o presidente provocou Biden, após receber críticas sobre queimadas na Amazônia.

Virando o disco

Os porta-vozes do setor avaliam que é preciso ressaltar que o produtor brasileiro está enquadrado no que é estabelecido pelo Código Florestal.

Para eles, a vitória de Biden significa, ainda, um retorno do multilateralismo e o fortalecimento de órgãos, como a OMC (Organização Mundial do Comércio), que foi desprestigiada pelo governo do atual presidente, Donald Trump.

"O Brasil precisa aproveitar para virar o disco, agora que Biden entrou. É uma agenda que deve ser atacada de frente, com muito diálogo. Não se pode confrontar o mundo nessa área (ambiental)", diz Marcos Jank, professor sênior de agronegócio no Insper e coordenador do centro Insper Agro Global.

"Biden traz os Estados Unidos de volta aos trilhos", diz. Ele completa que as preocupações sanitárias mudaram de patamar com a crise provocada pelo novo coronavírus, mas que o Brasil tem um sistema integrado de produção superior ao de outros emergentes.

O discurso de confronto do governo em relação à China, principal parceiro comercial do país, também é criticado.

"É burrice, países não têm amigos. É preciso ter relação cordial tanto com a China quanto com os Estados Unidos e devemos estar juntos para enfrentarmos os desafios do protecionismo", diz Francisco Turra, ex-presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e ex-ministro da Agricultura.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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